Tratamento nutricional na Síndrome de Down e seus desafios

Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

A Síndrome de Down (SD) ocorre devido a presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Estes indivíduos têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, sendo a anomalia cromossômica mais frequente no mundo. Em crianças com SD a atenção à ingestão alimentar e ao estado nutricional é imprescindível, pois eles podem apresentar anormalidades orofaríngeas, hipotonia, malformações gastrointestinais, taxa de crescimento reduzida, hipotireoidismo, doença celíaca, diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e transtornos comportamentais.

Uma revisão publicada em 2020 avaliou os achados científicos referente às recomendações nutricionais, ingestão alimentar e estado nutricional de crianças e adolescentes com Síndrome de Down. A partir de 57 artigos os autores apresentaram por temas os principais resultados e as potenciais lacunas na literatura. Abaixo estão os principais desafios encontrados:

Infância e amamentação: a duração da amamentação exclusiva é reduzida, quando comparada com crianças sem Síndrome de Down. Foi observado que malformações congênitas, prematuridade, dificuldades na sucção, insuficiência na produção de leite e depressão materna são fatores que podem diminuir o tempo de amamentação.

Problemas na ingestão e deglutição: cerca de 55-60% das crianças com Síndrome de Down têm problemas de ingestão e deglutição. É comum identificar anormalidades orofaríngeas estruturais e funcionais, estando associadas com problemas de sucção, selamento labial deficiente, disfagia e aspiração. Nos primeiros três meses de idade pode ser necessário a utilização de sonda nasogástrica para manter o estado nutricional. As limitações quanto à ingestão alimentar devem ser identificadas precocemente na etapa de triagem nutricional.

Estado nutricional e obesidade: em neonatos com Síndrome de Down observa-se um peso médio e comprimento ao nascer reduzidos. Esta redução no crescimento ocasiona a baixa estatura na fase adulta. O ganho de peso excessivo é uma das preocupações em crianças e adolescentes com SD.

A revisão também aborda sobre as práticas alimentares em família, avaliação da ingestão alimentar, suplementação dietética e problemas nutricionais relacionados à doença celíaca e DM 1. No entanto, há lacunas nos estudos, surgindo a necessidade de pesquisas robustas (com metodologias rigorosas e maior população analisada) sobre o tratamento nutricional na Síndrome de Down.

Referência:
Nordstrøm, Marianne et al. Nutritional challenges in children and adolescents with Down syndrome. Lancet Child Adolesc Health, v. 4, p. 455–464, Jul. 2020.

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