Suplementação nutricional x Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE)

Em algumas situações como no caso de pacientes críticos, a terapia nutricional é indicada de forma a prevenir infecções, melhorar a evolução clínica e/ou manter o estado nutricional. Para que as chances de ocorrer complicações sejam mínimas, é importante avaliar o tipo de terapia nutricional, quantidade e via de administração sempre buscando preservar a via oral. O ato de se alimentar vai além do “nutrir”, envolve alguns fatores biopsicossociais importantes como por exemplo, quando um paciente começa com a suplementação total ou parcial para manter a ingesta adequada. É preciso voltar a atenção a esses fatores, pois, a incapacidade de incluir-se em atividades sociais como realizar a refeição com outras pessoas, de ingerir um determinado alimento, podem gerar algumas perturbações alimentares como o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) classificado pelo DMS-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que não é caracterizado por restrição alimentar por conta de indisponibilidade de alimentos ou comportamentos culturais como jejum, dieta restritiva ou exigência alimentar mas sim, devido a alguma experiência negativa perante a ingesta alimentar seguida ou antecipada de algum trauma envolvendo o trato gastrointestinal, engasgo, sufocamento ou vômitos de repetição.

O TARE pode trazer algumas consequências negativas como o insucesso no ganho de peso e crescimento esperado, preceder o aparecimento de outros transtornos alimentares e dependência da suplementação nutricional. Ainda não há uma causa específica para o aparecimento do TARE, e precisa-se de mais estudos sobre. Para facilitar a aceitação, quando a situação nutricional for de risco para desnutrição ou desnutrição (uma possível consequência do TARE) tem-se atualmente, suplementos alimentares com sabores variados, alta densidade calórica, diferentes aportes proteicos e em alguns casos, com nutrientes específicos, portanto, a alimentação em pacientes que recebem suplementos nutricionais se torna um ato ainda mais complexo e que necessita de uma atenção maior e multiprofissional para a completa recuperação ou manutenção do estado nutricional.

Referência: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Transtornos Alimentares. In: APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5a ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Escrito por:

Letícia Ramos
Estagiária de Nutrição

Silvia Ramos
Nutricionista CRN3/10908

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