Síndromes Hipertensivas da Gestação

 

A síndrome hipertensiva gestacional (SGH) é considerada uma das mais comuns e importantes complicações do ciclo gravídico puerperal, com incidência em 6% a 30% das gestantes, resultando em alto risco de morbi-mortabilidade materna e fetal. Fatores genéticos, imunológicos e ambientais podem contribuir para sua instalação. As SGHs diferem entre si quanto à prevalência, gravidade e efeitos sobre o feto, sendo classificadas em: Hipertensão Gestacional (HG), Hipertensão Crônica (HC), Pré-Eclâmpsia (PE), Pré-Eclâmpsia Sobreposta a Hipertensão Crônica (PSHC), Síndrome HELLP e Eclampsia. As complicações maternas variam para cada síndrome, podendo levar até a morte. As mortes mais incidentes são descolamento placentário (8,4%) e síndrome HELLP (8,4%). Por essas razões faz-se necessário que a terapêutica seja individualizada, visando à prevenção de complicações e redução da morbimortalidade materna e fetal. Atualmente, o uso de corticoides é recomendado para o tratamento da PE, pois diminui os riscos para o feto provenientes da prematuridade,; porém o tratamento definitivo é o parto. Em relação à terapia nutricional, a dieta possui caráter mais preventivo do que terapêutico.
A gestação é o período do ciclo de vida da mulher em que a demanda nutricional é mais elevada. Para que essa adaptação ocorra, são realizados ajustes no metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios.
Proteínas: Na gestação ocorre redução de 0,7% de albumina, plasmática em relação às concentrações não gravídicas. Na SHG, a proteinúria faz com que o nível plasmático diminuindo ainda mais, ocasionando edema patológico. Aminoácidos como arginina, taurina e histidina tem função importante na manutenção do endotélio normal. A recomendação de ingestão diária para gestantes é em média 71g/dia.
Lipídios: Preconiza-se como ideal a relação entre W6 e W3 para gestantes de 5:1. O W3 promove redução de agregação plaquetária e aumenta a vasodilatação. Para gestantes dislipidêmicas, deve-se melhorar a qualidade de gorduras ingeridas na dieta. A suplementação preconizada segura é de 200mg de DHA/dia.
Fibras: Associadas à SHG e ingestão superior a 24,3g/dia pode reduzir o risco de desenvolver PE. Segundo RDA, a recomendação diária é de 28g/dia.
Cálcio: A baixa ingestão pode ocasionar o aumento da concentração de cálcio intracelular no músculo liso vascular, levando à vasoconstrição. Oferta diária adequada previne PE grave, síndrome de HELLP, eclampsia. Ingestão recomendada de 1200mg/dia.
Magnésio e Zinco: O magnésio melhora a disfunção endotelial e induz a vasodilatação. Recomenda-se ingestão de até 400mg/dia. E a deficiência de zinco, pode causar retardo do crescimento intra-uterino, e PE. É orientada a ingestão de 25mg/dia.
Sódio: A restrição do sal não traz benefícios à saúde, o edema é causado pela hipoalbuminemia e a restrição pode agravar o edema. A ingestão deve ser de até 6g/dia. Apenas em caso de hipertensão crônica, recomenda-se ingestão de no máximo 2g/dia.
Além disto, há os antioxidantes, que possuem participação na patrogênese da PE. Reduzindo a atividade vasoconstritora dos tromboxanos, a ingestão de vitaminas A, C e E são as mais recomendadas.

 

A alimentação adequada é importante para a prevenção de intercorrências gestacionais, bem como para garantir o curso saudável da gestação. As proteínas, lipídes, fibras, e alguns micronutrientes e os antioxidantes são de extrema importância na prevenção da SHG.
Referência: Trabalho de conclusão de curso elaborado pela aluna da pós de Nutrição Humana Aplicada e Terapia Nutricional, Larissa Rogoski, 2012.

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