Síndrome Metabólica na Criança e Adolescente

A obesidade tem sido considerada uma doença crônica e epidêmica, relacionada a uma alta taxa de morbidade e mortalidade. A prevalência da obesidade na infância e adolescência tem aumentado rapidamente em todo o  mundo. Entre 1963 e 2004 a incidência de obesidade nos Estados Unidos mais que triplicou entre adolescentes (de 5% para 17%), mais que quadruplicou entre crianças de 6 a 11 anos (de 4% para 19%) e mais que dobrou entre crianças de 2 e 5 anos (de 5% para 14%). Levantamentos realizados em diferentes regiões do Brasil demonstram prevalências de excesso de peso na faixa etária pediátrica, variando de 10,8% a 33,8%.
As mudanças de estilo de vida ocorreram em todo o mundo, resultando em redução da atividade física e aumento da ingestão calórica, inclusive para as crianças. O tempo gasto com brincadeiras ao ar livre diminuiu, dando maior espaço para atividades sedentárias, como videogames, computadores e televisão. Estima-se que as crianças assistam, em média, cerca de 100.000 comerciais de alimentos por ano só na TV.
Criança obesa tende a ser um adulto obeso. Até os 5 anos essa correlação é menor, mas após essa idade a chance de uma criança obesa tornar-se um adulto obeso é de aproximadamente 70% a 80%. Além disso, estudos longitudinais sugerem que o tempo de duração da obesidade está diretamente associado à morbimortalidade por doenças cardiovasculares. O ritmo de progressão do processo aterosclerótico é variável, dependendo do grau de exposição a outros fatores de risco.
E assim, como em um adulto, a obesidade na criança e no adolescente leva ao aparecimento de dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 , aumentando o risco de eventos cardiovasculares e síndrome metabólica.
Vários critérios já foram definidos para identificar estes pacientes, no intuito de que condutas preventivas pudessem ser adotadas para diminuir a chance de ocorrência de desfechos cardiovasculares.
Estudos epidemiológicos vêm demonstrando uma associação do crescimento expressivo na incidência de doenças, com a diminuição do tempo de vida livre de doenças, à medida que ocorre um aumento do índice de massa corpórea da população. A associação entre excesso de peso e fatores de risco para doenças crônicas do adulto confere à obesidade uma importância relevante, em termos de saúde pública.
Por esse motivo, a obesidade na infância e na adolescência deve ser acompanhada com muita atenção.
A abordagem terapêutica para os fatores de risco metabólicos deve incluir o controle do ganho de peso, modificações dos hábitos de vida e aumento da atividade física. Estas atitudes, essencialmente preventivas, permitirão que a criança ou adolescente de risco atinja a idade adulta com menor risco de desenvolver as doenças crônicas não transmissíveis relacionadas à obesidade e à síndrome metabólica.

Referência:
Tumas R.  Síndrome metabólica na criança e no adolescente. Ver ped  Moderna. 2012, 48(1), 6-9.
Sinaiko AR. Síndrome metabólica em crianças. J. Pediatr. 2012, 88: (4), 286-288.

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