Síndrome do Intestino Irritável e Dieta com restrição em FODMAPs

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma doença funcional do trato gastrointestinal definida de acordo com o seu padrão de sintomas (dor ou desconforto abdominal recorrente associada a alterações dos hábitos intestinais), a sua natureza crónica e ausência de doença orgânica detectável. Embora a SII não constitua uma condição com risco de vida, tem uma prevalência elevada e reduz marcadamente a qualidade de vida do indivíduo.
A SII é frequentemente categorizada em subtipos de acordo com o padrão intestinal predominante e o diagnóstico é baseado em dados clínicos, a partir de critérios estabelecidos, os chamados Critérios de Roma. Um dos principais problemas da SII é a falta de opções terapêuticas eficazes. Estão disponíveis estratégias não farmacológicas (educação para a saúde, confiança na relação estabelecida com o profissional de saúde, mudanças da dieta e do estilo de vida) e farmacológicas (são mais complexas e devido à heterogeneidade do SII não existe nenhum tratamento padrão). Terapias alimentares estão a ganhando popularidade e nos últimos anos, uma dieta com baixo teor em hidratos de carbono de cadeia curta fermentáveis, conhecidos coletivamente por FODMAPs (Oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis), tem sido defendida.
A associação entre FODMAPs e sintomas do SII, levou à elaboração de dietas de baixo teor destes hidratos de carbono. Foram primeiramente desenvolvidas na Austrália e substituem todos os alimentos com um elevado teor em FODMAPs por alimentos com baixo teor a partir dos mesmos grupos (Tabela 1). Sendo que o objetivo dessa estratégia não é a de excluir por completo FODMAPs, mas sim uma restrição ajustada e controlada de modo a que haja melhoria dos sintomas.

Tabela 1 – Alimentos com baixo teor em FODMAPs. Adaptado.

tabela blog

Os ensaios clínicos têm mostrado que os participantes que aderem à dieta geralmente respondem dentro de uma semana, mas há um aumento progressivo de eficácia e esta é verificada nas primeiras 6 semanas. Se a resposta é excelente, em seguida, os indivíduos seguem um plano de reintrodução alimentar individualizada para determinar a tolerância a determinados subgrupos de FODMAPs. A maioria dos pacientes não necessitam de um longo tempo de restrição, e desenvolvem algumas ‘’regras’’ individualizadas, ditadas por um equilíbrio da tolerabilidade de sintomas.
Atualmente pode se dizer que existe um progresso no que se refere ao papel da alimentação na fisiopatologia, sintomas no SII e no controle desta síndrome o que tem gerado grande interesse, pois esta pode ser uma conduta dietoterápica muito importe no manejo da doença e bem-estar do paciente.

Mayara Ribeiro
Nutricionista CRN3 54034/P
Silvia Ramos
Nutricionista CRN3/10908

Fonte: Tatiana F. S. Bastos. Síndrome do Intestino Irritável e Dieta com Restrição de FODMAPs. Clínica Universitária de Gastrenterologia. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. 1-31. 2016.

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *