Saúde cardiovascular e consumo de ultraprocessados

Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

Alimentos ultraprocessados são produzidos pelas indústrias, sendo compostos por amido, açúcares, gorduras e proteínas com acréscimo de aditivos alimentares como corantes e emulsificantes. Temos como exemplo destes alimentos refrigerantes, salgadinhos de pacote, bolachas recheadas, nuggets de frango e sopas instantâneas em pó e embaladas – em sua grande maioria, são produtos ricos em calorias, açúcar, sódio e gordura saturada.
Tendo em vista a forte associação descrita na literatura entre o consumo de ultraprocessados e condições crônicas como diabetes mellitus tipo 2, obesidade, dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares, um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado recentemente avaliou a relação entre o consumo de ultraprocessados e a saúde cardiovascular.

Foram utilizadas as métricas “Life’s Simple 7” propostas pela Associação Americana do Coração, nas quais são utilizadas para definir uma boa saúde cardiovascular através dos itens: tabagismo, atividade física, peso, dieta, glicose no sangue, colesterol e pressão arterial. No entanto, no presente estudo, a métrica “dieta” não foi incluída.

Com 11.246 voluntários adultos participantes, o estudo analisou a ingestão de ultraprocessados através de recordatórios alimentares de 24h. Como resultados, observou-se que os alimentos ultraprocessados totalizaram cerca de 55,4% das calorias totais consumidas diariamente.

Além disso, associou-se que a saúde cardiovascular piora conforme o consumo de ultraprocessados aumenta, independente da idade, sexo, nível educacional ou socioeconômico. Contudo, é importante ressaltar que por se tratar de uma análise transversal, não é possível definir causalidade entre ultraprocessados e saúde cardiovascular.

Referência:
ZHANG, Zefeng et al. Association between ultraprocessed food intake and cardiovascular health in US adults: a cross-sectional analysis of the NHANES 2011–2016. The American Journal of Clinical Nutrition, Estados Unidos, v. 113, n. 2, p. 428-435. Feb. 2021. https://doi.org/10.1093/ajcn/nqaa276

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