Rótulos nutricionais de produtos infantis: uma análise necessária

Por Mariana Yakabi e Silvia Ramos

O crescente número de crianças com excesso de peso vem acompanhado pelo alto consumo de alimentos processados e ultraprocessados. Uma grande influência desse consumo alimentar são a forma de comunicação das embalagens de produtos destinados ao público infantil.

As embalagens devem ter rótulos com informações, confiáveis, sobre a qualidade e quantidade dos componentes nutricionais, para auxiliar em melhores escolhas alimentares. Porém é difícil chamar a atenção do público com as informações nutricionais que apresentam uma linguagem técnica, enquanto as mensagens publicitárias são totalmente criativas.

Este estudo transversal avaliou qualitativa e quantitativamente os rótulos nutricionais de biscoitos recheados com apelo infantil em supermercados de Juiz de Fora (MG). Os rótulos dos biscoitos foram analisados qualitativamente de acordo com as obrigatoriedades exigidas pelas resoluções RDC 359/03 e RDC 360 /03. Na análise quantitativa observou os dados de macronutrientes, micronutrientes, fibras e energia quanto as suas adequações em relação ao %VDR da Ingestão Diária Recomendada para crianças de 2 a 6 anos de idade.

Das 16 amostras de biscoitos analisados, todas atenderam ao tamanho da porção recomendada pela resolução, além de 100% da amostra considerar informações nutricionais em relação aos itens obrigatórios preconizados pela legislação, indicando a porção em grama, medidas caseiras, %VDR e valor energético de carboidrato, proteína, gordura total gordura saturada e gordura trans, bem como as fibras e sódio.

Em todos os rótulos, o valor calórico e de nutrientes utilizados para calcular o %VDR de cada porção foi baseado em uma necessidade energética recomendada para adultos, o que torna o tamanho da porção excessiva para as crianças. Em relação a quantidade de macronutrientes e sódio verificou que todas as amostras ultrapassaram a determinação proposta pela resolução, para a população infantil, e alguns rótulos ainda declararam não conter fibras alimentares.

Há a necessidade de mudanças na regulamentação do rótulo nutricional e a retirada da publicidade de produtos direcionadas ao público infantil, para assim prevenir a obesidade infantil e outras comorbidades.

Referência
Fontes, Vanessa et al. Avaliação da rotulagem nutricional de biscoitos recheados com apelo infantil. Revista de APS, v.1, p.1-17, Fev. 2021.

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