Você sabe como a nutrigenética se relaciona ao metabolismo e a obesidade?

Por Maria Clara L. Eles e Silvia Ramos

Sobrepeso e obesidade são diagnosticados através do índice de massa corporal (IMC) maior que 25 e 30 kg/m2, respectivamente. Estes índices aumentados estão associados à maiores riscos para o desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mesmo câncer; aumentando o risco de morte precoce.

Tem se observado, nos últimos anos, um crescimento exponencial dos casos de obesidade e sobrepeso e, por isso, é considerado problema de saúde pública e gera grande custo à economia. Muito deste aumento está relacionado com a menor prática de atividade física e excesso de alimentação. Entretanto, existe a hipótese da influência de fatores genéticos hereditários contribuam na patogênese da doença. Esse background genético auxilia na compreensão das vias metabólicas que regulam a adiposidade.

Um exemplo já bastante estudado do controle das vias reguladoras do metabolismo, possivelmente alterando a expressão gênica dos tecidos metabolicamente ativos, é o gene associado à massa gorda e à obesidade (FTO). Ele é importante também na regulação dos telômeros, uma vez que existe uma associação entre telômeros mais curtos e aumento do índice de massa corporal, aumento da adiposidade, aumento da relação cintura-quadril, e nos sensores de energia no sistema nervoso central no hipotálamo, local chave para a regulação do balanço energético.

FTO também está presente no fígado, glândula do corpo humano, que desempenha importante papel na regulação do metabolismo da glicose e lipídios. Deste modo, pressupõe-se que a FTO hepática também esteja vinculada à regulação da adiposidade. Estudos experimentais com camundongos obesos encontraram níveis reduzidos de mRNA hepático da FTO e associaram isso a influência negativa da hiperglicemia e hiperinsulinêmia.

 Notou-se que o alelo de risco rs9939609, genótipos AA ou AT, é associado ao aumento do IMC de aproximadamente 0,4 kg /m2. Está associado ainda à uma maior ingestão de alimentos resultando em maior ingestão de energia, ao aumento da ingestão de proteínas e gorduras e produção de glicose hepática em comparação com os homozigotos para o alelo de baixo risco. Ainda, o genótipo AA são mais propensos a perda de controle na alimentação, níveis de leptina alterados no pós-prandial e aumento da sensação de fome.

A imagem abaixo, resume os principais pontos relacionados as alterações do genótipo AA para FTO:

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Fonte: epigenética e genética da obesidade: uma análise do gene fto, sua prevalência e relação gene nutriente.    Por Paulo Henrique Silva Brandão Juhász

Assim, é inteligível que o poder de desmetilação da FTO seja capaz de regular a expressão de diversos genes relacionados ao metabolismo e, que ao desregular esse processo, o ambiente torna-se oportuno a obesidade.

Todavia, associação não significa necessariamente causalidade. Apesar de genes serem irrevogáveis, o indivíduo pode criar um ambiente que minimize o impacto deles, através de uma alimentação adequada e equilibrada, principalmente individualizada, e com a prática de atividade física regular.

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Referências: 

FAWCETT, Katherine A.; BARROSO, Inês. The genetics of obesity: FTO leads the way. Trends In Genetics, [s.l.], v. 26, n. 6, p.266-274, jun. 2010. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.tig.2010.02.006. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2906751/>. Acesso em: 22 out. 2019.

JUHÁSZ, Paulo Henrique Silva Brandão. Epigenética e genética da obesidade: uma análise do gene fto, sua prevalência e relação gene nutriente. Centro Universitário de BrasÍlia – Uniceub, Brasilia, v. 2, n. 1, p.1-17, ago. 2019. Disponível em: <https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/prefix/13494/1/21606802.pdf>. Acesso em: 23 out. 2019.

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ZHAO, Xu et al. FTO and Obesity: Mechanisms of Association. Current Diabetes Reports, [s.l.], v. 14, n. 5, p.1-9, 14 mar. 2014. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s11892-014-0486-0. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24627050>. Acesso em: 22 out. 2019.

ZHOU, Yuling; HAMBLY, Brett D.; MCLACHLAN, Craig S.. FTO associations with obesity and telomere length. Journal Of Biomedical Science, [s.l.], v. 24, n. 1, p.1-7, 1 set. 2017. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1186/s12929-017-0372-6. Disponível em: <https://jbiomedsci.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12929-017-0372-6>. Acesso em: 22 out. 2019.

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