Qualidade das fórmulas infantis em um lactário hospitalar

Por Mariana Yakabi e Silvia Ramos

As fórmulas infantis (FI) são prescritas aos lactentes em situações inviáveis para a amamentação. Apesar de não substituírem totalmente as funções do leite materno, as FI atendem as necessidades nutricionais estimadas e, por isso, são consideradas melhores alternativas.

Nos hospitais, as fórmulas infantis são preparadas nos lactários, espaço destinado à preparação, higienização e distribuição de fórmulas lácteas para alimentação de bebês e crianças. Além de FL os lactários podem ser espaços no quais também pode ocorrer manipulação de fórmulas enterais.

Nos locais de manipulação de alimentos, especialmente em ambiente hospitalar, o controle higienicossanitário é de extrema importância para garantia da qualidade e para a saúde do paciente. Estudos recentes mostraram uma grande relação entre as FI e os surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA) em hospitais.

Em estudo realizado em hospital do Rio de Janeiro, realizou a análise microbiológica de fórmulas infantis, após reconstituição e armazenamento, preparadas no lactário. O objetivo foi detectar possíveis contaminações no processamento. Foram coletadas 60 amostras, durante 15 dias das FI destinadas à bebês, as coletas e análises foram realizadas quatro vezes por semana, em dois plantões diferentes, após os processos de preparo e após o armazenamento de 18h em refrigeração.

As coletas foram feitas para identificação dos microrganismos patogênicos por diferentes métodos: para a Salmonella spp utilizaram o método cultural clássico de presença/ausência, para coliformes a 35 ºC foi realizada Técnica do Número mais Provável (NMP), e a análise de B. cereus e Staphylococcus coagulase-positivas (SCP) utilizou-se o método de Contagem em Placas por Plaqueamento em Superfície.

Os resultados apontaram que não houve contaminação dos microrganismos estudados em 100% das amostras, logo após a reconstituição e após 18h de armazenamento das preparações.

Ao verificar rotina do lactário observou-se que o refrigerador utilizado para o armazenamento era mantido em temperaturas recomendadas e monitorada duas vezes ao dia. Os manipuladores recebiam regularmente treinamento sobre a correta higienização das mãos, utensílios e equipamentos do lactário, o que contribuiu para a qualidade microbiológica das FI. Cabe destacar que há relação direta entre a contaminação dos alimentos e o treinamento dos manipuladores, considerando este passo fundamental dentro do lactário.

Referência:
GIANGIARULO, Thamires C.S.C. et al. Avaliação da qualidade microbiológica de fórmulas infantis desidratadas após reconstituição e durante o armazenamento no lactário de um Hospital Universitário. Visa em Debate, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 86-90. Dez. 2019. https://doi.org/10.22239/2317-269x.01393

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