Pressão materna na alimentação infantil: influência bidirecional

Considerando o papel dos pais na formação dos hábitos alimentares, diversos estudos vêm investigando atitudes e práticas adotadas na alimentação de crianças. A insistência para consumir maior quantidade ou alimentos específicos pode resultar em futuras desordens alimentares prejudiciais à saúde.

Estudo recente realizado pelo departamento de pediatria da UNIFESP buscou identificar fatores associados ao uso da pressão materna na alimentação de 927 crianças de dois a oito anos de idade. Após analisar os questionários respondidos pelas mães, verificou-se influência bidirecional no ato.

 Como esperado, houve associação negativa entre a pressão imposta e o IMC da criança, entretanto, também houve associação entre IMC materno e uso de pressão: quanto menor o IMC da mãe, maiores as chances de pressionar o filho. Dentre os resultados, destaca-se também a forte associação da pressão imposta pela mãe com sua preocupação do baixo consumo alimentar do filho quando não estiver presente.

Apesar de não avaliar o histórico alimentar da mãe, há hipótese de a pressão exercida refletir as próprias experiência maternas, possivelmente projetando preocupações acerca de seu próprio peso e alimentação nos filhos. Portanto, estudar aspectos subjetivos como preocupações e inseguranças devem ser melhor investigados.

O estudo considerou o baixo IMC materno e/ou infantil como fator de risco, além de levantar hipóteses acerca das influências psicológicas maternas no ato de pressionar a criança ao se alimentar. Mais estudos de caráter qualitativo devem ser realizados, uma vez que compreender essa relação é vital para o desenvolvimento eficaz de intervenções para alimentação infantil adequada.

REFERÊNCIA:

REZENDE, Paola de Souza et al. Maternal pressure to eat: Associations with maternal and child characteristics among 2-to 8-year-olds in Brazil. Appetite, [s.l.], v. 133, p.40-46, fev. 2019.

http://dx.doi.org/10.1016/j.appet.2018.10.014.

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