Pontos de corte da circunferência do pescoço para identificação de excesso de peso em adultos

A obesidade vem aumentando gradativamente ao longo do tempo, sendo considerada uma epidemia mundial. Para identificação precoce do excesso de gordura e adiposidade corporal, é necessária a aplicação de métodos de avaliação para acompanhamento e controle. As medidas antropométricas, como o Índice de Massa Corporal (IMC), Circunferência Abdominal (CA), relação cintura-quadril e aferição de dobras cutâneas são amplamente utilizadas na identificação de sobrepeso e obesidade. Entretanto, recentemente a utilização da circunferência do pescoço (CP) vem sendo mais aferida e, está melhor relacionada ao risco cardiometabólico. A CP é sugerida como instrumento de triagem para excesso de peso, por ser mais simples, barata, não invasivo, prático, que independe das variações corporais no momento da aferição.

Lima e cols, em 2018, avaliaram com 323 pacientes adultos entre 18 e 60 anos de idade, sendo 62 (19%) do sexo masculino e 261 (81%) do sexo feminino, ambos atendidos no ambulatório de nutrição do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe. As medidas antropométricas foram realizadas com os participantes, o peso corporal e a estatura foram aferidos. O estado nutricional foi estabelecido pelo IMC, classificado de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Já aferição da circunferência abdominal (CA) foi mensurada entre o ponto médio da última costela e a crista ilíaca. A CA foi classificada de acordo com os pontos de corte CA ≥ 94 cm para homens e CA ≥ 80 cm para mulheres e a circunferência do pescoço (CP) foi medida na altura da cartilagem cricotireóidea. A análise dos dados foi realizada pelo  software R Core Team 2016 e a validade preditiva da CP foi analisada por meio da curva Receiver Operator Characteristic (ROC), bem como, a determinação dos pontos de corte para a identificação de sobrepeso ou obesidade nos adultos da amostra.

A prevalência de sobrepeso e obesidade classificados pelo IMC (OMS) foi de 77% nos homens e 89% nas mulheres, com destaque para a obesidade grau III, em ambos os sexos. O risco cardiovascular também foi elevado, segundo a CA, que mostrou médias acima dos pontos de corte estabelecidos (Tabela 1).

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A CP mostrou correlação forte e direta com as variáveis antropométricas, peso corporal, CA e IMC, para homens e mulheres (Tabela 2).  Entretanto, quando analisado o cálculo do IMC e sua correlação com a CP o mesmo não foi significativo.

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Na análise para determinação dos pontos de corte pela curva AUC, o objetivo é de identificar corretamente indivíduos que são verdadeiro-positivos, ou seja, possuem sobrepeso e/ou obesidade e têm CP aumentada. Nesta amostra, os pontos de corte que melhor determinaram indivíduos com sobrepeso foi de 37,9 cm para homens e 34,7 cm para mulheres, e para obesidade 40 cm para homens e 36,5 cm para mulheres.

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O excesso de gordura corporal é um importante fator de risco cardiometabólico, principalmente, quando o acumulo de gordura ocorre na região visceral. Muitos estudos que têm demonstrado que a CP pode ser um bom indicador antropométrico, para medir os depósitos de gordura na parte superior do corpo. A adiposidade nesse compartimento corporal tem sido associada a efeitos adversos, como resistência a insulina, inflamação, síndrome da apneia e hipoapneia do sono (SAHOS) e disfunção endotelial. Assim, reforçando a hipótese, que a gordura na região visceral pode não ser a principal fonte das concentrações circulantes de ácidos graxos livres.

Os dados deste estudo permitem concluir que a medida pela circunferência do pescoço (CP) pode ser incluída em avaliações nutricionais diárias, pela sua praticidade ou em situações em que não for possível a utilização de outras variáveis antropométricas como IMC e CA e, também pode ser utilizada como uma ferramenta de rastreio simples, com boa reprodutibilidade para a identificação de pacientes adultos com excesso de peso na população. Entretanto, é importante ressaltar que cada estudo estabelece seu ponto de corte de acordo com a população avaliada. Não há consenso nacional ou internacional para pontos de corte até o momento.

Por

Leticia de Lima Silva

Estagiária de Nutrição e Marketing

Dra. Silvia Ramos

Nutricionista

CRN3: 10908

 

REFERÊNCIA:

LIMA, Ticiane Clair Remacre Munareto; ROCHA, Vivianne de Sousa; SOUZA, Márcia Ferreira Cândido de. Pontos de corte da circunferência do pescoço para identificação de excesso de peso em adultos: um estudo transversal. 2018. Disponível em: <https://revista.nutricion.org/PDF/TICIANE.pdf>. Acesso em: 02 mar. 2019.

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