Peixes e frutos do mar – no que eles podem ajudar para prevenir o Alzheimer?

 

A incidência da Doença de Alzheimer vem crescendo mundialmente com a mesma proporção em que aumenta a população acima dos 60 anos. A enfermidade acomete 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo. A previsão é que o número de doentes de Alzheimer chegue a 65,7 milhões em 2030 e a 115,4 milhões em 2050,  ou seja,  crescimento da incidência da doença dobra praticamente a cada 20 anos. Diante da necessidade permanente de identificar estratégias preventivas para a doença, estudiosos procuraram correlacionar o papel potencial da ingestão alimentar na prevenção da doença.
De acordo com um estudo publicado recentemente no The Journal of the American Medical Association(JAMA), pesquisadores analisaram uma base de dados com informações de 300 pessoas que preencheram questionários regulares sobre sua dieta, relacionados ao consumo de frutos do mar e de ácidos graxos w-3 (peixes), e se submeteram a avaliações neurológicas anualmente, a partir de 1997. Os participantes do estudo permitiram que seus cérebros fossem doados para pesquisa após a morte. Durante o período de 2004 e 2013, em que os voluntários faleceram, foram realizadas autópsias que possibilitaram a medição dos níveis de mercúrio no cérebro, proveniente dos frutos do mar, e a presença de placas e emaranhados característicos do Alzheimer.
Os resultados mostraram que as pessoas que consumiam frutos do mar ao menos uma vez por semana tinham níveis de mercúrio no cérebro mais altos, porém esses níveis não se mostraram prejudiciais o suficiente para provocar efeitos neurotóxicos causado por altas concentrações do elemento no corpo. Além do que, portadores do gene ApoE4, fator de risco para o desenvolvimento da doença, que ingeriram alimentos como frutos do mar e peixes pelo menos uma vez por semana tinham menores quantidades de proteínas nocivas no cérebro.
O ApoE4 afeta cerca de 30% da população em geral. No estudo, 22,7% dos participantes apresentavam ao menos uma cópia deste gene. Os autores acreditam que o efeito protetor dos peixes e frutos do mar foram maiores nestes pacientes, uma vez eles eram mais propensos a ter placas de proteínas nocivas no cérebro.
O estudo conclui que, o consumo de ao menos uma porção de peixe ou frutos do mar por semana ajuda a proteger o cérebro do Alzheimer. A ingestão destes alimentos tem sido consistentemente associada à desaceleração de declínio cognitivo e diminuição do risco da doença de Alzheimer.
Acreditamos que este estudo traz dados bastante promissores. Entretanto, a amostra perante a prevalência pode ser considerada pequena e, a metodologia de análise empregada limita a replicação dos dados e o tempo para apresentação de novos resultados.
Priscila Alves Gouveia
Estagiária de Nutrição
Sílvia Ramos

 

Nutricionista

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *