Papel do nutricionista no cuidado paliativo para pacientes com câncer

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) estimou que, para 2018, irão surgir cerca de 600 mil novos casos de câncer no Brasil. As principais estimativas são para o câncer de próstata e mama, com 68.220 e 59.700 novos casos, respectivamente. (1)

A Organização Mundial da Saúde (OMS), juntamente com a Aliança Mundial de Cuidados Paliativos, afirmam que mais de 20 milhões de pessoas no mundo necessitam de cuidados paliativos. Porém, no Brasil, as iniciativas para que haja este cuidado ainda não são suficientes. O último relatório emitido pela OMS mostra que o Brasil encontra-se em 42º lugar entre os países que investem em cuidados paliativos. (2)

De acordo com a OMS, define-se como cuidados paliativos a assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais. (3)

Ainda, a OMS destaca que muitos aspectos dos cuidados paliativos devem ser aplicados mais cedo, no curso da doença, em conjunto com o tratamento oncológico ativo. A transição do cuidado ativo para o cuidado com intenção apenas paliativo deve ser um processo contínuo, diferindo sua dinâmica de acordo com cada paciente. (3)

A atuação de uma equipe multiprofissional é indispensável para que essa assistência seja realizada de forma adequada, sendo necessária a participação de diversos profissionais, como: nutricionistas, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e psicólogos, os quais devem prestar assistência aos pacientes, levando sempre em consideração suas escolhas e vontades. (4)

A nutrição representa uma importante ferramenta no tratamento do paciente, pois promove bem-estar e qualidade de vida, além de melhorar seu aspecto físico, psicológico e social. (5) O desafio para o nutricionista muitas vezes é quando o mesmo se depara com verdadeiros dilemas a respeito da conduta dietoterápica a ser adotada, no âmbito dos cuidados paliativos. (6)

Orientando de maneira geral, a intervenção nutricional deve priorizar o controle dos sintomas, a oferta adequada de líquidos, a preservação do peso e da composição corporal do paciente e as recomendações nutricionais para o paciente oncológico adulto em cuidados paliativos que variam de acordo com a expectativa de vida do paciente. (7)

Outra questão difícil é o fato de existirem controvérsias no que diz respeito à alimentação do paciente em cuidados paliativos. A decisão do paciente sobre receber ou não a terapia nutricional deve ser atendida tanto pelos profissionais de saúde, quanto por seus familiares, tendo em vista que, a autonomia do paciente, bem como os princípios éticos da beneficência e não-maleficência estão acima de qualquer evidência científica. (8)

Cabe também ao profissional nutricionista, amenizar os efeitos colaterais dos tratamentos medicamentosos, que podem causar náuseas, vômitos, diarreia, saciedade precoce, má absorção, obstipação intestinal, xerostomia, disgeusia (alteração do paladar), disfagia (dificuldade de deglutição). (9)

A dieta VO é sempre preferencial, por ser a mais fisiológica, desde que o trato gastrointestinal esteja funcionante e o paciente apresente condições clínicas para recebê-la. A VO pode ser administrada em conjunto com a TNE e NP. A TNE é preferencial em relação a NP, desde que haja funcionalidade do TGI. (6)

O controle de sintomas que podem comprometer a qualidade de vida é um dos principais objetivos no âmbito dos cuidados paliativos, e o nutricionista é um dos profissionais responsáveis não apenas pelo controle desses sintomas como, também, por esclarecer pacientes e familiares sobre a conduta dietoterápica a ser utilizada e promover a facilitação da melhor nutrição a esses pacientes, a partir da escolha adequada dos alimentos ofertados e de acordo com suas preferências e tolerância alimentar. (7)

Portanto, é fundamental, ter conhecimento técnico dentro de sua especialidade e habilidade para se comunicar. É imprescindível, independente de qualquer conduta dietoterápica a ser realizada, respeitar a vontade do paciente. Dessa forma, juntamente com outras medidas, a nutrição contribuirá com a manutenção da qualidade de vida do paciente em tratamento paliativo. (10)

 

Beatriz Mennella
Estagiária de Nutrição do Insira Educacional

 

Silvia Ramos
Nutricionista CRN3/10908

 

REFERÊNCIAS

(1) BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. . Estimativa 2018. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/estimativa/2018/sintese-de-resultados-comentarios.asp>.

(2) BRASIL. ACADEMIA NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS. . OMS: mais de 20 milhões precisam de #CuidadosPaliativos todos os anos. Disponível em: <http://paliativo.org.br/oms-mais-de-20-milhoes-precisam-de-cuidadospaliativos-todos-os-anos/>.

(3) BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. . Cuidados Paliativos. Disponível em:

<http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/tratamento/cuidados_paliativos>.

(4) BERTACHINI, Leo; PESSINI, Luciana. Nuevas perspectivas en cuidados paliativos. Acta Bioethica. v. 12, n. 2, p. 231-242, 2006.

(4) BÓRQUEZ, Pablo; ROMERO, Claudia. El paciente oncológico geriátrico. Rev. Chilena Cirugía. v. 59, n. 6, p. 467-471, 2007.

(5) BENARROZ, Monica de Oliveira; FAILLACE, Giovanna Borges Damião; BARBOSA, Leandro Augusto. Bioética e nutrição em cuidados paliativos oncológicos em adultos. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009000900002&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>.

(6) CORRÊA, Priscilla Hiromi; SHIBUYA, Edna. Administração da Terapia Nutricional em Cuidados Paliativos. Revista Brasileira de Cancerologia. v. 53, n. 3, n. 317-323, 2007.

(7) SOBRAL, Audeangela Arcangela dos Santos; PEREIRA, Mellissa Emilyn Alves; WAKIYAMA, Chika. O PAPEL DO NUTRICIONISTA NO CUIDADO PALIATIVO DO PACIENTE ONCOLÓGICO EM FASE TERMINAL: UMA REVISÃO DA LITERATURA. 2017. Disponível em: <https://cientefico.emnuvens.com.br/cientefico/article/view/265/348>.

(8) REIRIZ, André Borba et al. Cuidados paliativos – há benefícios na nutrição do paciente em fase terminal? Rev. Soc. Bra. Clin. Med. v. 6, n. 4, p. 150-155, 2008.

(9) UNIC. Manual de cuidados paliativos em pacientes com câncer. Disponível em: 1. ed. Rio de Janeiro: UNATI/UERJ-UNIV, 2009.

(10) FRANCO, Élida Paula Dino de et al. CUIDADOS PALIATIVOS: HÁ BENEFÍCIOS NA NUTRIÇÃO AO PACIENTE EM FASE TERMINAL?. 2013. Disponível em: <http://www.asmec.br/biblioteca/anais2013/Nutrição V.pdf>.

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