Outubro Rosa: Nutrition and Breast Cancer: A Literature Review on Prevention, Treatment and Recurrence

Por Luiza Thimoteo Cabral e Silvia Ramos

O câncer de mama é o mais comum em mulheres, com mais de 2 milhões de casos novos no mundo em 2018 e no Brasil surgem cerca de 60 mil novos casos por ano. A taxa de mortalidade é alta porém com os avanços na medicina, a taxa de sobrevida cresceu nos últimos anos devido ao diagnóstico precoce através da mamografia e melhora dos tratamentos.

Nesta revisão, foram selecionados estudos para reunir as evidências mais atuais da  relação da dieta e a prevenção, o tratamento e recorrência do câncer de mama, totalizando 112 artigos.

Os fatores de risco foram divididos em dois grupos: não modificáveis e modificáveis. Os fatores não modificáveis incluem idade avançada (> 65 anos), predisposição genética, menarca (< 12 anos), menopausa tardia (> 55 anos), idade da primeira gravidez após os 30 anos, infertilidade e não ter filhos, uso de contraceptivos, tratamento hormonal após a menopausa e sem histórico de amamentação. Entre os fatores modificáveis ​​está o estilo de vida, escolhas alimentares e excesso de peso ou obesidade, a qual está associada a pior sobrevida global e aumento da mortalidade em mulheres com câncer de mama na pós-menopausa.

As diretrizes direcionadas à população em geral recomendam um padrão alimentar saudável com alto consumo de frutas, verduras, grãos integrais, aves e peixes e baixo consumo de carne vermelha, alimentos refinados, açúcar e laticínios ricos em gordura. Essas recomendações podem melhorar o prognóstico geral e a sobrevivência de mulheres com câncer de mama nos estágios iniciais (estágio I, II e III).

Segundo as recomendações atuais do World Cancer Research Fund e American Institute for Cancer Research, manter um peso corporal saudável, ser fisicamente ativo, dieta rica em fibras, rica em soja e reduzir a ingestão de gorduras, principalmente ácidos graxos saturados, podem melhorar a sobrevida após o diagnóstico.

Alguns alimentos como carne vermelha e processada e alguns nutrientes como carboidratos refinados e gordura saturada são consideradas fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama.  Estes  elementos  estão relacionados ao aumento dos níveis de estrogênio endógeno, fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) e citocinas pró-inflamatórias.

Já os alimentos considerados protetores, como as fibras, ácidos graxos poliinsaturados, vitaminas C e E, frutas e vegetais, pois reduzem o estresse oxidativo e, consequentemente, a inflamação crônica. Mesmo com diversos estudos sobre os fatores de risco e proteção, as evidências ainda são limitadas.

Já em  relação ao  tratamento, existem diferentes tipos sendo eles a quimioterapia, radioterapia, cirurgia (mastectomia ou lumpectomia) e terapias hormonais e medicamentosas. Na maioria das vezes são tratamentos extremamente agressivos que causam diversos efeitos colaterais como náusea, vômito, perda de apetite, boca seca e alterações no paladar e/ou na percepção do olfato.

O principal e mais comum efeito colateral é o ganho de peso que ocorre em mulheres que realizam quimioterapia, sendo que as mulheres tratadas com terapias citotóxicas apresentam um risco 65% maior de ganhar peso durante o tratamento, em comparação com as mulheres que recebem outros tratamentos, como radioterapia ou terapia hormonal. A obesidade afeta negativamente o prognóstico e a sobrevida do câncer de mama, além de influenciar outras condições médicas, como diabetes, doenças cardíacas, hipertensão e hipercolesterolemia. Desta  forma, manter um peso saudável, aumentando a atividade física e diminuindo a gordura corporal, pode ser uma intervenção razoável para melhorar o prognóstico.

Algumas alterações ocorrem no paladar durante o tratamento, como o dano nas células receptoras gustativas, a xerostomia (boca seca) e até mesmo a perda do paladar causada por medicamentos. Nestes  casos,  são recomendadas algumas estratégias para melhorar a aceitação e a palatabilidade dos alimentos, como por exemplo adicionar sabores cítricos/artificiais, comer refeições menores e mais frequentes, usar mais condimentos, comer mais alimentos cozidos, comer doces antes das refeições, beber bebidas açucaradas, entre outros.

Alguns nutrientes são utilizados para reduzir os efeitos colaterais, ajudando na qualidade de vida como por exemplo, os ácidos eicosapentaenoicos (EPA) e docosaexaenoico (DHA), chá verde, suplementos vitamínicos e minerais  e a estratégia de jejum intermitente. No entanto, estas estratégias ainda estão sendo avaliadas para verificar os efeitos benefícios de sua aplicação.

Pelo fato de o câncer ser uma doença multifatorial, não apenas a dieta tem influência. Apesar da grande quantidade de estudos atuais sobre os efeitos dos alimentos como fator de risco ou proteção no desenvolvimento do câncer, outros aspectos devem ser levados em considerado como genética, fatores ambientes e estilo de vida. Os pacientes diagnósticos com câncer devem ser incentivados a melhorar os hábitos antes, durante e após o tratamento, gerando um melhor prognóstico e qualidade de vida.

Referências:

CICCO, Paola De; et al. Nutrition and Breast Cancer: A Literature Review on Prevention, Treatment and Recurrence. Nutrients. Julho, 2019. Disponível em: <https://www.mdpi.com/2072-6643/11/7/1514/htm>.

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