Origem e tradição da Ceia de Natal

A alimentação é um processo voluntário e consciente, influenciado por fatores culturais, econômicos e psicológicos. Vai muito além da dimensão biológica do comer para viver, pois está ligada a diversos significados. Existem alimentos tidos como marcadores de eventos sociais, como o bolo de aniversário, o chocolate da páscoa e aos presentes na ceia de natal.1 O Natal é a celebração que está mais associada à comensalidade e cujos alimentos a consumir são mais rigidamente estabelecidos e selecionados.

Segundo a literatura, a Ceia de Natal originou-se do antigo costume europeu de deixar as portas das casas abertas no Natal para receber viajantes, peregrinos e seus familiares para a confraternização daquela data tão significativa para os cristãos. Para essa comemoração, era preparada muita comida tanto no que diz respeito a quantidade quanto a variedade. A tradição foi se espalhando pelo mundo e cada região acrescentando um costume local. Um grande exemplo disso é o peru, tradicional na ceia norte-americana passando rapidamente a fazer parte dos costumes de outros países.2 No Brasil, a ceia é composta basicamente por uma mistura de pratos tradicionais europeus com algumas contribuições portuguesas e norte-americanas.

Antes da chegada do peru, a tradição natalina no Brasil era o Bacalhau, trazido pelos portugueses. A introdução e fixação do peru como prato principal na Europa e nas Américas na comemoração do nascimento de Cristo, transformou o ritual do “jantar de Natal” em “ceia”. A abundância, e mesmo a extravagância, caracterizam a essência do momento da ceia de Natal, pois este ritual passou a ser entendido como expressão simbólica do sucesso frente aos ditames da vida cotidiana ao longo do ano.3

O panetone foi criado na Itália e a tradição de consumi-lo nas festas de final de ano teve seu início em Milão. Não se sabe ao certo quem criou o pão nem como ele chegou ao natal, entretanto, muitos acreditam que seja por sua forma que lembra a cúpula de uma igreja 4 5.

As tradicionais castanhas e fruta secas vieram dos Romanos, onde acreditavam que as avelãs evitavam a fome, as nozes relacionavam-se com abundância e prosperidade e as amêndoas protegiam as pessoas dos efeitos alcoólicos. As frutas in natura também vieram dos Romanos, onde eram usadas para enfeitar a mesa a fim de homenagear o “solstício de inverno” que significava a noite mais longa do ano, quando a Terra atinge o ponto mais distante do sol, o que acontece por volta do dia 22 de dezembro6 .

Apesar da sociedade moderna estar de fato perdendo seus valores e costumes, fica evidente que a tradição e moda ainda estão presentes na ceia de Natal e que os rituais não deixaram de ser importantes nessa data. Independente da religião, a data é marcada pela comensalidade, amor e prosperidade.

 

Escrito por

Fabiana Lascala
Estagiária de Nutrição

Silvia Ramos
Nutricionista CRN3-10908

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