Obesidade Infantil e Prevenção: Quais as expectativas em nível mundial?

Por Paula Amorim

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo e a previsão é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões, caso nada seja feito. No Brasil, levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso.

No último dia 11 de outubro foi celebrado o dia mundial de prevenção a obesidade e, para divulgar para o mundo informações sobre o tamanho do problema, a WOF – World Obesity Federation – publicou um Atlas Global sobre Obesidade Infantil.  Esse documento mostra que nenhum país no mundo tem mais de 50% de chance de atingir sua meta de combater a obesidade infantil.

Para ter acesso ao atlas clique aqui: http://s3-eu-west-1.amazonaws.com/wof-files/WOF_Childhood_Obesity_Atlas_Report_Oct19_V2.pdf

Uma revisão sistemática publicada em 2018 no peródico Obesity Facts teve como objetivo resumir diretrizes, recomendações e estratégias para a prevenção da obesidade na infância e adolescência mundialmente.

Com base nos estudos internacionais as prevenções para obesidade na infância e adolescência foram classificadas conforme tabela abaixo:

TABELA 11

No âmbito das ofertas de prevenção serão diferenciados entre:

TABELA 1

    Essa revisão mostrou que as intervenções que têm um melhor efeito sobre o peso corporal são as que combinam intervenções nutricionais e atividade física. Programas que são oferecidos na escola associado ao forte envolvimento dos pais e por mais de um ano têm maior efeito positivo. Além disso, medidas como redução de consumo de bebidas açucaradas e oferta de bebedouros são outros exemplos  de estratégias.

A obesidade e o excesso de peso tem uma relação direta com o aumento da ingestão de alimentos com alta densidade calórica e ao consumo de comida rápida e fora de casa. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017-2018, no Brasil, o percentual de despesa com alimentação fora do domicílio foi de 32,8 %, valores maiores que nas pesquisas anteriores dos anos de 2008-2009 (31,1%) e 2002-2003 (24,1%). Além disso essa pesquisa mostra a porcentagem de cada grupo alimentar nas compras à domicílio. O maior grupo foi o de carnes, vísceras e pescados (18,3% em 2002-2003, 21,9% em 2008-2009 e 20,2% em 2017-2018). Junto à isso, houve uma queda da participação do grupo cereais, leguminosas e oleaginosas, passando de 10,4% em 2002-2003 para 5,0% em 2017-2018. E o grupo de outros alimentos também apresentou crescimento significativo de sua participação percentual, de 8,3% em 2002-2003 para 13,7% em 2017-2018.

A revisão concluiu que as estratégias de prevenção atuais para sobrepeso e obesidade infantil são insuficientes e, até agora, pelo menos parcialmente inadequadas na maioria dos países. Certos grupos de risco para o desenvolvimento da obesidade não são alcançados efetivamente por programas atuais.  Também enfatiza a importância dos profissionais de saúde pública como pediatras, psicólogos, nutricionistas, entre outros, na prevenção comunitária da obesidade infantil assim como a participação dos pais e responsáveis legais. Além da implementação de medidas políticas que poderiam fornecer recursos como, por exemplo, playgrounds e parques nas proximidades para crianças e adolescentes, bebedouros livremente disponíveis em creches e escolas, entre outras coisas.

Referências:

WEIHRAUCH-BLÜHER, Susann; et al. Current Guidelines for Obesity Prevention in Childhood and Adolescence.Obesity facts. Julho, 2018. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29969778>

 

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *