Obesidade, ganho de peso gestacional e peso ao nascer em mulheres com diabetes gestacional: os estudos LINDA-Brasil (2014–2017) e EBDG (1991–1995)

Por Silvia Ramos Nutricionista CRN3 –  10908

O sobrepeso e a obesidade maternos podem levar a várias complicações, incluindo diabetes mellitus gestacional (DMG) e, o índice de massa corporal pré-gestacional (IMC) é um importante preditor de DMG.

Os padrões de ganho de peso gestacional  (GPG) adequado em mulheres com DMG não estão estabelecidos e o ganho de peso inadequado, maior ou menor do que o recomendado pelo Institute of Medicine (IOM), é comumente descrito.  Uma das principais consequências do GPG inadequado, seja excessivo ou insuficiente, é sobre o peso ao nascer. O GPG excessivo aumenta o risco de macrossomia (ou grande para a idade gestacional), enquanto o GPG insuficiente aumenta o risco de pequeno para a idade gestacional (ou baixo peso ao nascer). A presença de hiperglicemia gestacional pode influenciar ainda mais na adequação do peso ao nascer, 10 principalmente em partos de recém-nascidos grandes.

Neste estudo foram analisadas duas coortes, os autores compararam dados de 2.362 mulheres do estudo Lifestyle INtervention for Diabetes Prevention After Pregnancy (LINDA-Brasil, 2014–2017) com os de 359 mulheres do Estudo Brasileiro de Diabetes Gestacional (EBDG, 1991–1995). O ganho de peso gestacional foi classificado pelos critérios do Instituto de Medicina.

O objetivo foi  avaliar o ganho de peso gestacional e o peso ao nascer em mulheres com diabetes mellitus gestacional de duas coortes brasileiras com três décadas de intervalo.

Principais Resultados incluíram:

  • Na LINDA-Brasil, as mulheres apresentaram maior índice de massa corporal pré-gestacional (30,3 ± 6,5 24,6 ± 4,4 kg / m 2) e eram frequentemente obesas (46,4 vs. 11,1%) em comparação com as do EBDG.
  • No EBDG, o ganho de peso gestacional foi maior (11,3 ± 6,1 9,2 ± 7,6 kg) e as taxas de pequeno para a idade gestacional maiores (7,5 vs. 4,5%) em relação ao LINDA-Brasil.
  • Na LINDA-Brasil, o ganho de peso gestacional excessivo foi associado à macrossomia (risco relativo ajustado [aRR]: 1,59, IC 95% 1,08–2,35) e grande para a idade gestacional(aRR: 1,40; IC 95% 1,05-1,86)
  • Menor ganho aumentou o risco de baixo peso ao nascer (aRR: 1,66; IC 95% 1,05–2,62) e pequeno para a idade gestacional (aRR: 1,79; IC 95% 1,03–3,11).
  • Essas associações foram semelhantes no EBDG, embora não estatisticamente significativas.

Ao longo do tempo nas gestações com diabetes mellitus gestacional, acompanhadas houve piora no perfil de peso materno. Isso destaca a transição nutricional nesse período e a importância de evitar o ganho excessivo de peso gestacional, bem como promover o peso adequado antes da concepção.

Referência:

Silveira LRP, Schmidt MI, Reichelt AAJ, Drehmer M. Obesity, gestational weight gain, and birth weight in women with gestational diabetes: the LINDA-Brasil (2014–2017) and the EBDG (1991–1995) studies, Jornal de Pediatria, Volume 97, Issue 2, 2021, Pages 167-176. https://doi.org/10.1016/j.jped.2020.02.004.

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