O papel da nutrição no tratamento da Esclerose Múltipla

Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica autoimune com ataque ao sistema nervoso central, o que provoca lesões cerebrais e medulares. Esta doença atinge principalmente mulheres jovens de 20 a 40 anos, tendo como sintomas a fadiga intensa, depressão, transtornos visuais, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio e coordenação, dores articulares e disfunção intestinal.

Uma alimentação saudável e equilibrada tem um impacto positivo na diminuição dos sintomas da EM, podendo ser considerada um tratamento complementar da EM.

Uma revisão sistemática publicada em 2017 apresentou o impacto da alimentação na esclerose múltipla. Os autores apresentaram uma visão geral da literatura sobre o consumo energético, de macronutrientes, vitaminas e propriedades antioxidantes. Nesta análise foram utilizados ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e experimentais publicados entre 2005 e 2015.

Após a seleção, foram incluídos 47 artigos, dos quais 27 eram ensaios clínicos e 20 estudos observacionais. Do total, 14 eram europeus, 13 iranianos e 9 dos Estados Unidos. Destacamos que estas informações são importantes para compreendermos de forma criteriosa até que ponto dados internacionais podem ser extrapolados e aplicados na prática clínica aqui no Brasil.

Os primeiros insights descritos na revisão são acerca da ingestão alimentar das pessoas com EM:

  • Média da ingestão de energia diária: 2.730Kcal (homens) e 1.967Kcal (mulheres);
  • Carboidratos: 46,9% da ingestão total de energia;
  • Proteínas: 14,6% da ingestão total de energia;
  • Gorduras: 38,4% da ingestão total de energia;
  • Nos estudos analisados foi observado uma ingestão de gordura poliinsaturada e fibra alimentar menor do que o recomendado.

Outros resultados analisados:

  • A suplementação nutricional é utilizada com frequência nesses pacientes, principalmente de vitaminas, ácidos graxos essenciais, minerais e fitoterápicos.
  • Uma dieta com baixo teor de gordura com suplementação de antioxidantes levou a concentrações significativamente mais baixas de proteína C reativa do que o placebo.
  • Tanto uma dieta contendo alimentos fonte de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) quanto os suplementos de PUFAs, mais especificamente o ômega-3 (EPA e DHA) podem modular beneficamente os processos inflamatórios relacionados à EM.
  • A EM é uma possível causa de osteoporose secundária, e por isso a suplementação de vitamina D pode ser útil para a prevenção e tratamento. Após a oferta de altas doses de vitamina D observou-se o benefício na manutenção da saúde óssea através da preservação da homeostase do cálcio e do fósforo em pacientes com EM.

Referência
BAGUR, M. J. et al. Influence of Diet in Multiple Sclerosis: A Systematic Review. American Society for Nutrition, [s.l.], v. 8, n. 3, p. 463-472, May. 2017.

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