Nutrição e Doença de Alzheimer: Padrões alimentares e Intervenções Nutricionais

Por Silvia Ramos

Nutricionista CRN3-10908

Neste mês, o calendário do Ministério da Saúde divulga o fevereiro roxo para conscientização sobre a Doença de Alzheimer (DA). Pensando nisto, reunimos algumas informações sobre fatores de risco e estratégias nutricionais relacionados à prevenção do Alzheimer.

Os principais tratamentos nutricionais existentes para a prevenção da DA agem por meio de mecanismos de melhora da resistência à insulina, correção da dislipidemia e redução do estresse oxidativo. Além disto, na avaliação individualizada podem ser analisados marcadores individuais, genética e comportamento para complementação da abordagem nutricional.

Dois estudos recentes apresentam o papel do estado nutricional e intervenções nutricionais sobre o desenvolvimento do declínio neurocognitivo.

Pistolatto e cols, 2018 discutem os padrões alimentares caracterizados pela alta ingestão de alimentos vegetais (plant-based-diet), probióticos, antioxidantes, soja, nozes e ácidos graxos ômega 3, pobre em gordura saturadas, proteínas e carboidratos simples mostram resultados positivos no declínio cognitivo e início da doença de Alzheimer. Além disto, apresentam padrões dietéticos como a dieta mediterrânea, dieta DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension) e dieta MIND (Mediterranean-DASH diet Intervention for Neurodegenerative Delay) como alternativa dietética para a prevenção.

Resistência à Insulina:  A resistência periférica à insulina é fator de risco conhecido para DA. Reduz o metabolismo da glicose cerebral e diminui a depuração de Aβ no sistema nervoso central.  Dados do Framingham Heart Study revelaram que a adiponectina é um fator de risco independente para DA e demência em mulheres, enquanto os níveis de peptídeo C e o HOMA  IR estão associados carga amilóide cerebral.  Esses resultados sugerem que os pacientes com esses biomarcadores podem se beneficiar da intervenção, mesmo na ausência de diabetes evidente.

Estresse Oxidativo: Os efeitos deletérios dos radicais livres sobre a função neuronal incluem dano direto ao DNA, desestabilização da membrana, ruptura da atividade enzimática com deposição de Aβ. Duas abordagens nutricionais são mais reconhecidas por este papel que seria a ingestão de antioxidantes dietéticos e redução a homocisteínas com suplementação da vitamina B12.  Embora o papel das vitaminas seja controverso, a fonte alimentar e não a de suplementos parece ter melhor efeito no estresse oxidativo.  A especiaria curcurma também contém altos níveis de antioxidantes fenólicos, mas embora tenha sido descoberto que ela reduz a amilóide em um modelo animal com DA, seu benefício em humanos não é comprovado.

Dislipidemia: Embora o papel do colesterol na patogênese da DA seja controverso, a dislipidemia é um fator de risco independente para DA, que pode afetar a produção de Aβ através da alteração da composição da membrana neuronal.  Os dois principais suplementos nutricionais com evidência de benefício na prevenção da AD são niacina e ácidos graxos ômega-3, mas sua utilidade depende, em parte, do perfil clínico do paciente.

A niacina reduz a incidência de DA e diminui o declínio cognitivo em idosos por reduzir significativamente os níveis de apolipoproteína B (apo B) componente do LDL-c.  Já os ácidos graxos ômega 3, estão relacionados à redução da carga amilóide em modelos animais e dos triglicerídeos. Sendo que pacientes com hipertrigiceridemia podem se beneficiar da suplementação.

Em resumo, a resistência à insulina, a dislipidemia e o estresse oxidativo contribuem para a geração de placas e emaranhados patológicos típicos da Doença de Alzheimer. Múltiplas intervenções nutricionais podem reduzir os efeitos prejudiciais destes fatores de risco e, devem ser avaliadas individualmente e complementadas com biomarcadores para pacientes com maior risco de DA.

Referências

Pistollato F,  Iglesias R, Ruiz  R, Aparicio S, Crespo J, Lopez L, Manna P, Giampieri F, Battino M.  Nutritional patterns associated with the maintenance of neurocognitive functions and the risk of dementia and  Alzheimer’s disease: a focus on human studies. Pharmacological Research. 2018:131; 32-43. https://doi.org/10.1111/nyas.13070

Schelke, MW, Hackett, K., Chen, JL, Shih, C., Shum, J., Montgomery, ME, Chiang, GC, Berkowitz, C., Seifan, A., Krikorian, R. e Isaacson, RS ( 2016), Intervenções nutricionais para prevenção da doença de Alzheimer: uma abordagem de medicina de precisão clínica. Ann. NY Acad. Sci., 1367: 50-56. doi: 10.1111 / nyas.13070

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