Nutrição Comportamental

 

Vivemos uma situação paradoxal, no qual apesar da ciência da Nutrição e da alimentação estar cada vez mais em pauta e as informações acessíveis, a população não está mais saudável. Temos mais doenças crônicas, transtornos alimentares e obesidade e também uma relação neurótica com a comida.

 

Por meio da associação feita entre “saudável” “não saudável”, “bons ou ruins”, na ideia de que uma alimentação realmente saudável não pode ser prazerosa, e que o prazer é associado à culpa. Neste contexto, grupos de estudo idealizaram a Nutrição Comportamental, que tem como objetivo ampliar a atuação do nutricionista e mudar rumos da atual visão restrita que permeia a prática clínica e comunicação do nutricionista. Inclui aspectos fisiológicos, socioculturais, emocionais da alimentação, promovendo mudança no relacionamento do nutricionista com o paciente, da mídia e da indústria.

 

A nutrição comportamental foi desenvolvida  em cima de dois pilares:

 

Prática clínica: onde se defende como se come, fazendo um link entre as crenças, pensamentos, e sentimentos sobre o alimento. E também que se come. Sabendo que uma orientação nutricional fundamentada em estratégias comportamentais, possibilita mudança real e consistente do comportamento alimentar.

 

Comunicação: Acredita-se que se devem transmitir as mensagens de forma consistente, baseadas em ciência, que validem o prazer de comer e o equilíbrio, são peças-chave para uma comunicação responsável, positiva e inclusiva na promoção de um comportamento saudável. Isto deve ser aplicado, tanto em consultório, quanto nas mídias.

 

O foco Prática Clínica se justifica por acreditar que a abordagem não é apenas biológica da alimentação, que considera o ato comer, somente uma decisão racional, ignorando os outros componentes como os aspectos emocionais, culturais e sociais, é uma problemática. Apesar de o alimento ser obviamente fonte de nutrientes promotores da saúde e do bem-estar, o seu papel vai além da visão tecnicista e nutricional.

 

Por sua vez, o pilar comunicação é importante pois, a comunicação dos profissionais de saúde nas mídias e na divulgação profissional podem desfavorecer a melhora da informação e comprometer a credibilidade e imagem profissional.

 

A posição da Nutrição Comportamental é atribuir valor a um determinado produto além da funcionalidade biológica e fisiologia, levando em conta outros atributos, como o sabor e prazer, sendo estes, essenciais para a comunicação de uma alimentação saudável. Os nutricionistas podem contribuir, sendo verdadeiros especialistas, colaborando para que a mídia considere e consolide mensagens que englobem alimentação total do individuo e seu contexto de vida.

 

 

 

 

 

Referência: Revista Nutrir+. Edição nº 24 Agosto/Setembro de 2015.

Por Profa. Dra. Marle Alvarenga

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