NUTRIC MODIFICADA PARA AVALIAÇÃO DA TAXA DE MORTALIDADE

Por Ana Paula Nehara Moreira

NUTRIC (Nutrition Risk in the Critically Ill) é a principal ferramenta utilizada para avaliar risco nutricional em pacientes críticos. A pontuação consiste em 6 variáveis: idade; evolução aguda ou crônica do estado fisiológico (APACHE II); avaliação da falência sequencial de órgãos (SOFA); número de comorbidades; dias de internação antes da UTI; e níveis de IL-6 (interleucina 6). A NUTRICm (NUTRIC modificada) exclui a utilização dos níveis de IL-6 e, portanto, é mais fácil de ser calculada.

Pacientes internados em UTI encontram-se em estado pró-inflamatório e estresse metabólico severo, possibilitando catabolismo e perda proteica, fato este que também deve ser levado em consideração na avaliação. Considerando o desafio em avaliar o risco nutricional de pacientes críticos e a importância do papel do nutricionista nessa identificação, Jung e colaboradores utilizaram a NUTRICm para avaliação do risco e consequências da adequação da dieta em pacientes que passaram por cirurgia emergencial do trato gastrointestinal (TGI). O  principal  desfecho estudado foi a mortalidade em 30 dias, além de outras como: dias sem VM (ventilação mecânica), dias fora da UTI, infecção intra-abdominal, complicações pulmonares, feridas, vazamentos e infecções pós-operatórias.

Os autores buscaram registros médicos de 1118 pacientes adultos que foram submetidos a cirurgia emergencial do TGI por complicação de infecção intra-abdominal entre 2007 e 2017.
Pacientes que receberam nutrição inadequada tinham necessidades calóricas maiores que o grupo adequado. Além disso, foi maior o número de indivíduos com nutrição considerada adequada que receberam NP (Nutrição Parenteral) dentro de 5 dias da admissão quando comparado com o grupo inadequado. Além disso, apenas 1 a cada 5 pacientes em risco nutricional (alta pontuação na NUTRICm) iniciaram a NE (Nutrição Enteral) dentro de 5 dias após admissão na UTI.

Não houve diferença na taxa de mortalidade em 30 dias entre os grupos que receberam nutrição adequada ou inadequada quando avaliados como fora de risco nutricional (baixa pontuação na NUTRICm). Em contraste, os resultados demonstraram associação clara entre suporte nutricional adequado para pacientes em risco de desnutrição e melhor taxa de sobrevivência.

Entretanto, complicações pós-operatórias pareceram não ter associação com adequação nutricional, seja no grupo com pontuação alta ou baixa na NUTRICm, diferentemente de outros estudos que associaram taxas de infecção com adequação calórica em pacientes críticos.

Neste levantamento, quase metade dos pacientes não atingiram 80% da necessidade calórica apenas com a NE e somente 20% a iniciaram dentro de 5 dias. Apesar da controversa sobre indicação de dieta normocalórica ou hipercalórica para pacientes críticos, ofertar calorias adequadas para pacientes pós-cirúrgicos com alto risco de desnutrição pode estar associado a melhores resultados clínicos e, quando intolerantes a NE após a cirurgia, podem se beneficiar da NP.

Apesar do estudo apontar que o suporte calórico insuficiente ofertado a pacientes com alto risco de desnutrição eleva a taxa de mortalidade, é interessante que pesquisas também avaliem diferentes grupos de pacientes, além de levantar informações sobre adequação do consumo de proteína e micronutrientes.

REFERÊNCIA:

JUNG, Yun et al. Association of Inadequate Caloric Supplementation with 30-Day Mortality in Critically Ill Postoperative Patients with High Modified NUTRIC Score. Nutrients, [s.l.], v. 10, n. 11, p.1-9, 29 out. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.3390/nu10111589

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