Nutracêuticos como estratégia nutricional no tratamento da Hipertensão Arterial

Por Paula Amorim e Silvia Ramos

No dia 26 de abril, pelo calendário do Ministério da Saúde foi o dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.
A hipertensão é uma epidemia mundial e a sua alta prevalência está relacionada ao risco de complicações cardíacas (acidente vascular cerebral hemorrágico e isquêmico, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, morte súbita e doença arterial periférica). No ano de 2015 foi considerada como um dos principais contribuintes globais para morte prematura.
Com base nas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC) de 2018 e da Sociedade Europeia de Hipertensão (SEH), a hipertensão é definida como “valores de pressão arterial sistólica (PAS) no consultório ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) valores ≥ 90 mmHg ”. A Tabela 1 apresenta a classificação da pressão arterial (PA) do consultório e as definições de hipertensão.

Tabela 1

A nutrição tem uma forte influência na fisiopatologia da hipertensão e vários estudos já mostram que a redução de sódio, padrões alimentares como DASH e mediterrâneo têm sido considerados juntamente com manutenção do peso adequado o principal tratamento não farmacológicos para redução da pressão arterial, manutenção de níveis lipídicos e diminuição das complicações cardíacas. Além disso, estudos recentes sugerem que alimentos funcionais e nutracêuticos podem ajudar os pacientes a obter os níveis desejados de pressão arterial e reduzir os riscos cardiovasculares, modulando vários fatores de risco, como estresse oxidativo, hiperatividade do sistema renina-angiotensina, inflamação, hiperlipidemia e resistência vascular.
O termo “nutracêuticos” evoluiu com os anos e sua definição varia para cada país. Esse termo pode ser definido como “um alimento (ou parte de um alimento) que forneça benefícios na saúde, incluindo a prevenção e o tratamento de alguma doença.
Os nutracêuticos que podem reduzir os níveis de pressão arterial são classificados em 3 grupos:
• Alimentos (chás e cacau)
• Nutrientes (magnésio, cálcio, vitamina C, ácidos graxos poliinsaturados – PUFAs e fibras solúveis)
• Nutracêuticos não nutricionais (coenzima Q10, licopeno e prebióticos).
Uma recente revisão publicada em fevereiro de 2020 pelo periódico Food Research International resumiu os conhecimentos recentes sobre o impacto de nutracêuticos comuns na regulação da pressão arterial.
As tabelas abaixo mostram a Classe de recomendação e nível de evidência dos nutracêuticos em várias categorias de pressão arterial.

Tabela 2

Tabela 3

Tabela 4

Esta revisão concluiu que alguns ingredientes dietéticos e nutracêuticos podem ser moduladores importantes para o tratamento de hipertensão arterial e de algumas outras doenças crônicas. Os estudos sugerem que as substâncias com maior segurança e eficácia é o cálcio, além dele, o cacau, chá de hibisco, canela, açafrão, vitamina C, PUFAs, tripeptídeos do leite, catequinas e quercetina.
Apesar das muitas alegações sobre os efeitos protetores dos nutracêuticos contra a hipertensão arterial, são necessárias mais evidências científicas e ensaios clínicos bem projetados para incorporá-las no tratamento de rotina dessa doença, sejam os nutracêuticos usados isoladamente ou em combinação com outros medicamentos. Além disso, a segurança dos nutracêuticos potenciais é outra preocupação importante. Essas substâncias devem ser acessíveis (baixo custo), aceitáveis para os pacientes e suficientemente biodisponíveis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Forouzanfar, M. H., Liu, P., Roth, G. A., Ng, M., Biryukov, S., Marczak, L., … Murray, C. J. (2017). Global burden of hypertension and systolic blood pressure of at least 110 to 115 mm Hg, 1990–2015. Jama, 317, 165–182. https://doi.org/10.1001/jama.2016. 19043.
Ghaffari, S., & Roshanravan, N. (2019). The role of nutraceuticals in prevention and treatment of hypertension: An updated review of the literature. Food Research International, 108749. doi:10.1016/j.foodres.2019.108749

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