Morbidades maternas modificam a composição do leite materno?

Por Anna Gomes e Silvia Ramos

Atualmente a incidência de diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial e excesso de peso tem sido alta entre as mulheres. No período da gestação, estas condições podem levar ao quadro clínico de pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome de Hellp, crescimento intrauterino restrito, parto prematuro, descolamento prematuro da placenta e entre outros. Além destas condições, alguns estudos têm mostrado que doenças crônicas podem acarretar em alteração da composição nutricional e imunológica do leite materno.

Ultimamente muitos estudos vêm sendo realizados a respeito da composição do leite materno. O artigo em questão realizou uma revisão sistemática da literatura, a fim de identificar a relação entre DM, excesso de peso, hipertensão arterial e a composição do leite humano. Os estudos analisados foram realizados na América do Norte (Estados Unidos), América do Sul (Brasil), Europa (Grécia, Finlândia e Holanda), Ásia (Líbano) e Oceania (Austrália). Sendo compostos por mulheres na faixa etária de 17 a 43 anos.

Dentre os achados, temos que no DM a inadequação da insulina pode influenciar diretamente na qualidade e quantidade de leite materno. Alguns autores identificaram um aumento na composição de gordura no leite nas mulheres com DM, o que pode ser parcialmente explicado devido à alteração do metabolismo de lipídeos desta condição clínica. A lactação é definida em duas fases, lactogênese I e II, sendo que a fase I inicia-se na 20ª semana de gestação e a fase II ocorre entre 24 e 48 horas após o parto, sendo marcada pelo aumento da lactose. Um dos estudos analisados verificou um atraso de 18h na transição da fase I para II em mulheres com DM, o que dificultou o estabelecimento do aleitamento materno.

 Quando a hipertensão arterial apenas um estudo foi selecionado evidenciando que o colostro e o leite maduro das mães com esta condição possuem maior nível de proteínas totais. Porém, os efeitos da pressão arterial na constituição do leite materno ainda não é totalmente compreendida, principalmente nos casos em que ocorreu complicação da gestação por hipertensão arterial.

 Referente ao excesso de peso, alguns autores identificaram uma menor quantidade de proteínas, sendo uma mudança parcialmente explicada pelo aumento do estresse oxidativo. Outro achado, é o aumento da quantidade de gorduras e energia do leite.

Por fim, os autores concluíram que mesmo as doenças crônicas ocasionando alterações na composição do leite materno, é consenso universal que o aleitamento deve ser incentivado de forma exclusiva até o 6º mês de vida, e a partir de então a amamentação será seguida até os dois anos de idade em conjunto com o inclusão de alimentos. Além disso, é de extrema importância que as mulheres tenham acompanhamento nutricional contínuo no pré-natal e após o parto.

Referência

AMARAL, Y. N. di V. do; ROCHA, D. M.; SILVA, L. M. L. da; SOARES, F. V. M.; MOREIRA, M. E. L. Morbidades maternas modificam a composição nutricional do leite humano? uma revisão sistemática. Ciência Saúde Coletiva, 2019. vol. 24, n. 7. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232018247.18972017

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