Índice Inflamatório, intervenção dietética e a relação com o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)

Por Silvia Ramos
Nutricionista
CRN3 –  10908

Como sabemos, o lúpus eritematoso sistêmico (LES), é uma doença inflamatória crônica autoimune e, devido à estas características inflamatórias os pacientes têm risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares. Fatores ambientais como dieta, nutrição e estilo de vida são conhecidos por desempenhar um papel fundamental na modulação inflamação e o prognóstico das doenças cardiovasculares (DCV).
Padrões alimentares ocidentais demonstram ter um potente potencial pró-inflamatório. Considerando estes padrões e a sua correlação com a inflamação, o Índice Inflamatório Alimentar (IIA) foi desenvolvido e validado para avaliar o processo inflamatório potencial da dieta geral de um indivíduo.
A pontuação obtida por meio do (IIA) mostrou estar associada à vários processos inflamatórios de doenças, incluindo câncer, síndrome metabólica e DCV. Sendo um escore elevado, correspondendo à dieta uma pró-inflamatória e, mais fortemente relacionada à maior risco de DCV.
No estudo conduzido por Pocovi-Gerardino e cols. 2019, foram avaliadas 165 mulheres entre 18 e 80 anos com LES clinicamente estáveis acompanhadas periodicamente. O consumo alimentar para definição do (IIA) foi obtido por meio de entrevista nutricional e questionário de frequência alimentar (QFA).
Neste estudo os parâmetros nutricionais do (IIA) foram significativamente relacionados aos níveis de colesterol total, mas não à outros marcadores de doenças cardiovasculares. Esta conclusão pode ser atribuída ao desenho do estudo de característica transversal e de única coleta de dados alimentares.
Paralelamente, Medeiros Miss e cols. investigaram quais as intervenções nutricionais que poderiam estar relacionadas à saúde de pacientes com LES. O grupo realizou uma revisão sistemática da literatura com objetivo de evidenciar o papel de nutrientes, suplementos e/ou intervenções nutricionais capazes de atuar beneficamente sobre a saúde destes pacientes.
Onze estudos com intervenções relacionadas à suplementação de ácidos graxos ômega-3, Vitamina D, cúrcuma e dieta de baixo índice glicêmico foram identificados.
Os resultados evidenciaram que:
• Suplementação com ômega-3: reduziu a inflamação, e a atividade da doença, a disfunção endotelial e o estresse oxidativo
• Suplementação de vitamina D: aumentou os níveis séricos, reduziu os marcadores inflamatórios e hemostáticos
• Suplementação de cúrcuma: reduziu a proteinúria, hematúria e pressão arterial sistólica
• Dieta de baixo índice glicêmico: auxiliou na perda de peso e redução da fadiga.
Todos estes dados partiam de ensaios clínicos randomizados e, estas quatro intervenções listadas acima foram as mais encontradas na literatura como forma de melhorar a qualidade de vida. A junção destes nutrientes e o cuidado com o índice de inflamação da dieta (IIA) sem dúvida podem ser grandes aliados do nutricionista para uma prescrição alimentar assertiva.

Fontes:
Pocovi-Gerardin G. et al. Dietary Inflammatory Index Score and Cardiovascular Disease Risk Markers in Women with Systemic Lupus Erythematosus. J Acad Nutr Diet. 2019; 120 (2), 280-287.-DOI: 10.1016/j.jand.2019.06.007

Medeiros Miss MC, et al. Dietary Intervention And Health In Patients With Systemic Lupus
Erythematosus: A Systematic Review Of The Evidence, Critical Reviews in Food Science and
Nutrition, (2018) DOI: 10.1080/10408398.2018.1463966

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