Imunonutrição: nutrientes estimulando a resposta imunológica

Por definição, imunonutrientes são nutrientes ou substâncias nutricionais identificadas e selecionadas especificamente para estimular a resposta imunológica de quem os consome. Já a imunonutrição é a terapia propriamente dita. Os nutrientes são oferecidos em quantidades acima do convencional, afim de que alcancem efeito farmacológico em um ou mais componentes da resposta imune à cirurgia, trauma ou infecção.
Alguns nutrientes específicos, denominados farmaconutrientes, demonstraram a capacidade de modular a resposta imunológica e inflamatória de seres humanos, em estudos clínicos e laboratoriais. Dentre os substratos conhecidos, os que apresentam maior relevância e ação imunomoduladora são: arginina, glutamina e ácido graxo n-3.
Em torno de 80% dos pacientes diagnosticados com câncer, apresentam desnutrição calórica-proteica no momento do diagnóstico, devido à baixa ingestão alimentar associada ao aumento da taxa metabólica basal. Quando combinados aos sintomas de vômito, diarreia e falência renal contribuem para má absorção de nutrientes, agravando o estado de desnutrição. Os resultados considerados satisfatórios foram observados na suplementação destes imunonutrientes em dietas-padrão oferecidas por via enteral aos pacientes. (1)
A arginina é um aminoácido não-essencial que está envolvido na síntese de hormônios e tecidos. Estudos clínicos mostraram que a suplementação dietética deste nutriente é capaz de reduzir as taxas de crescimento tumoral, melhorando a produção hepática de proteínas e a resposta das células-T quando comparado à dieta controle. (1)
A glutamina também é considerada um aminoácido semi essencial, a qual a síntese endógena é realizada predominantemente pelos músculos esqueléticos. Alguns estudos têm sugerido a suplementação “condicionalmente indispensável” durante estados hipercatabólicos, tais como cirurgia de grande porte, vítimas de queimaduras, e traumas múltiplos. Em casos de grandes queimaduras, os pacientes podem apresentar redução em até 25% da glutamina intracelular. A suplementação exerce papel benéfico na função imune pelo estímulo da produção de linfócitos T e B, e imunoglobulina A (IgA). Nos enterócitos, mantém a integridade intestinal, prevenindo a atrofia da mucosa, além de atenuar a apoptose celular. (2)
Os ácidos graxos n-3 são encontrados em grande quantidade no óleo de peixe e de canola e, quando adicionados em fórmulas enterais, tem mostrado resultados benéficos nos pacientes em estado crítico. Este nutriente, nas formas denominadas eicosapentaenóica (EPA) e docosahexaenóica (DHA), estimularam a função imune dos indivíduos pela competição com o ácido aracdônico pelo metabolismo ciclo-oxigenase.(1)
A reposição dos ácidos graxos ômega-3 EPA e DHA também é capaz de atenuar a resposta metabólica, diminuir a perda muscular e prevenir o estresse oxidativo. A indicação clínica da dose, tempo e formulação, ideais para sua suplementação permanecem indefinidas, porém, vários estudos clínicos demonstraram benefícios no uso em pacientes críticos. (3)

O uso de nutrientes imunomoduladores numa terapia nutricional para o tratamento de pacientes críticos, vem mostrando efeitos benéficos, modulando seus processos imunológicos, metabólicos e inflamatórios. Estes efeitos também se mostraram bastante determinantes na melhora do prognóstico e a diminuição do tempo de internação. Os pacientes críticos possuem necessidades nutricionais complexas e precisam de terapia nutricional intensiva. Por isso, um suporte nutricional adequado, com uma dieta imunomoduladora é indicada para uma melhor resposta nos seus quadros. Porém, ainda é necessário mais estudos que demonstrem não só os benefícios já determinados, mas dosagens terapêuticas para cada nutriente.

Fontes:

(1) ROSA, de S. Pereira Lorena et al. Efeitos dos imunomoduladores na oncológia: revisão de evidências científicas. Rev. Saúde, 2016.

(2) SOUSA, S. Euclides Arianne et al. O papel da arginina e glutamina na imunomodulação em pacientes queimados – revisão de literatura. Rev Bras Queimaduras, 2015.

(3) DIESTEL C. F; MÔNICA G. RODRIGUES, FERNANDA M. P., RACHEL M. R, PATRÍCIA S. S.: Terapia nutricional no paciente crítico. Revista HUPE, Rio de Janeiro, 12(3):78-84 p. Jul/Set -2013

Adriana Loiola
Estagiária em Nutrição

Silvia Ramos
Nutricionista- CRN3/10908

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