Associação entre impulsividade, controle inibitório e consumo alimentar em mulheres com transtorno de ansiedade generalizada

Por Paula Amorim e Silvia Ramos

O transtorno de ansiedade generalizada é caracterizado por ansiedade persistente e preocupação excessiva com o dia a dia e eventos rotineiros por pelo menos 6 meses, associados a sofrimento subjetivo, sintomas físicos e a sensação de perda de controle sobre a ansiedade. É considerado um fator de risco para anorexia e obesidade. Os dados científicos sobre comportamento alimentar em pacientes ansiosos são muito inconsistentes, e os mecanismos pelos quais alguns indivíduos têm uma alimentação restritiva enquanto outros se tem um consumo alimentar excessivo são ainda mal compreendidos. Traços de personalidade, temperamento, autocontrole, e mudanças na função executiva e controle inibitório parecem estar associados a este comportamento alimentar disfuncional observável.

A impulsividade é uma predisposição biológica associada a reações rápidas e não planejadas a reações internas e externas estímulos, sem considerar suas possíveis consequências. É um padrão de comportamento composto por motores maiores de ativação, menos atenção e estratégias de planejamento diminuídas. A impulsividade pode ser observada em qualquer indivíduo com ou sem diagnósticos psiquiátricos, e pode influenciar a gravidade e curso longitudinal de diferentes distúrbios.

O controle inibitório é caracterizado como a capacidade de regular respostas comportamentais automáticas. É importante para limitar o envolvimento em comportamentos recompensadores, como consumir alimentos altamente palatáveis. O controle inibitório deficiente está associado à ingestão de alimentos, incluindo maior ingestão em resposta a estados emocionais negativos, obesidade e ganho de peso, e falha no tratamento da perda de peso a longo prazo. No entanto, poucos estudos avaliaram esses mecanismos em pacientes com transtornos de ansiedade.

O transtorno de ansiedade generalizada ocorre duas vezes mais em mulheres, que também têm maior risco de transtornos alimentares.

A impulsividade e a falta de controle inibitória podem influenciar a relação entre presença de transtornos psiquiátricos e comportamentos alimentares.

Um estudo publicado na revista brasileira de Psiquiatria nesse ano teve como objetivo investigar a suposta associação entre impulsividade, controle inibitório e consumo de alimentos com alta densidade energética em mulheres com transtorno de ansiedade generalizada.

Foi um estudo transversal, com 51 mulheres adultas com TAG responderam a Escala de Impulsividade (BIS-11) e participou de uma atividade usando imagens de alimentos.

Foram avaliadas as medidas antropométricas. Um questionário de frequência alimentar e um teste de lanche foram usados ​​para estudar comportamento alimentar.

Os resultados mostraram que a impulsividade previu ingestão de açúcar, gordura e gordura saturada. O teste do lanche mostrou um resultado positivo para correlação entre presença de impulsividade e ingestão de biscoitos. A inibição de imagens de alimentos no paradigma de tarefa vai / não vai não prediz o IMC ou a ingestão de alimentos.

O estudo concluiu que a impulsividade foi preditiva de maior ingestão de açúcar e gordura saturada em mulheres diagnosticadas com transtorno de ansiedade generalizada. Nossos achados complementam a literatura sobre a associação entre neuropsicológicos fatores e consumo de alimentos nesta população específica.

Referência Bibliográfica:

FONSECA, N. K. D. O. D. et al. Impulsivity influences food intake in women with. Brazilian Journal of Psychiatric, Porto Alegre, RS, Brazil, 2020.

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *