Implicações da plant-based diet em hipercolesterolemia e hipertensão arterial sistêmica

Nos Estados Unidos, doenças cardiovasculares representam 17% dos gastos de cuidado à saúde. Desde 1950, são a causa primordial de morte no país. Tem sido estimado que 40% da população apresenta altos níveis de LDL no sangue, e um terço dos indivíduos entre 40 e 59 anos são hipertensos. Baseados em evidências crescentes, médicos são aconselhados a encorajar uma plant-based diet para seus pacientes.

A partir disto, o estudo buscou avaliar a eficácia da implementação da plant-based diet em pacientes hipertensos e hipercolesterolêmicos, no período de 4 semanas. Participaram do estudo 31 indivíduos entre 32 e 69 anos, de ambos os sexos. Foram considerados para hipertensão arterial sistêmica (HAS) os valores de pressão sistólica maior ou igual a 140 mmHg e pressão diastólica maior ou igual a 90 mmHg. Para hipercolesterolemia, o valor de referência foi para concentração sanguínea de LDL-C maior ou igual a 100 mg/dL, e os participantes foram classificados com excesso de peso se apresentassem IMC maior ou igual a 25 kg/m².

Os participantes compareceram a consultas de acompanhamento durante as 4 semanas de estudo, onde foram feitas as medidas antropométricas, pressão arterial, frequência cardíaca e indicadores bioquímicos. Além disso, foi realizado recordatório 24 horas na primeira e última semanas. Todas as informações foram armazenadas para futura comparação com os valores iniciais.

Foi excluído da dieta dos participantes alimentos de origem animal, exceto mel. Alimentos cozidos, sem adição de óleos, refrigerantes, álcool e café também foram excluídos. Todos os participantes consumiram frutas cruas, vegetais crus, sementes e  condimentos naturais. Vitaminas, ervas e suplementos minerais tiveram seu uso descontinuado, salvo exceções. Os exercícios físicos habituais não foram mudados, tão pouco monitorados. Foi mantido um controle dietético escrito, onde os participantes indicavam se estavam “100% dentro da dieta” ou se comeram “algo fora da dieta”.

Os diagnósticos clínicos e histórico médico apontaram que 33% dos participantes apresentavam doença arterial coronariana, e 44% eram pré-diabéticos ou apresentavam diabetes mellitus. A média de IMC entre os participantes foi de 37,5 kg/m², e aproximadamente 81% eram obesos.

Durante o estudo, houve redução significativa da ingestão calórica, proteínas, vitaminas D e B12, cálcio, zinco, sódio, gorduras totais, gorduras saturadas e insaturadas, gorduras trans e colesterol proveniente da dieta. Por outro lado, foi observado aumento na ingestão de carboidratos, vitaminas A e C, folato, fibras, magnésio e potássio.

Os resultados clínicos mostraram uma redução de peso média de 6,7 kg (p<0.005)  entre todos os participantes, e redução das pressões sistólica e diastólica em 16,6 mmHg e 9,1 mmHg (p<0.005), respectivamente. Também, foram diminuídos os medicamentos usados para controle de pressão (33%) e hipoglicemia (87%). Além disso, os marcadores bioquímicos mostraram mudanças significativas, exceto nos valores de HDL total e glicose.

O estudo conclui que a plant-based diet pode ser considerada como alterativa no tratamento de HAS, hipercolesterolemia e de outras doenças cardiovasculares, além de reduzir o uso de medicamentos para controle das mesmas. Porém, os autores apontam que é necessário um estudo maior, com grupos de controle e outras comparações dietéticas.

Comentários

É preciso fazer uma análise sobre até onde é benéfico excluir da dieta de um paciente todos os alimentos de origem animal, considerando que o mesmo pode apresentar deficiência de, principalmente, vitamina B12 e cálcio.

Por outro lado, é evidente que uma dieta com maior quantidade de fibras em sua composição ajude na redução de peso, como foi evidenciado pelos resultados apresentados. Ainda, o menor consumo de carnes e embutidos mostrou-se eficiente para o controle de sódio e colesterol; e o aumento no consumo de vegetais e folhas mostrou bons resultados nos níveis séricos de vitamina A e C dos participantes.

Houve também uma redução do valor calórico ingerido pelos participantes, de 2.053 kcal/dia para 1.369 kcal/dia, o que  corresponde a cerca de uma ingestão 30% menor. Esta diminuição da ingestão calórica contribuiu para a perda de peso que  impactou nos demais parâmetros avaliados. Desta  forma  fica  em  aberto saber se a redução da PA foi por meio da redução calórica  ou pela plant  based diet.

Ainda, as atividades físicas realizadas pelos participantes não foram monitoradas. Já é de conhecimento científico que exercícios físicos contribuem para o controle de pressão arterial e LDL; além de ajudar na perda e controle do peso e, consequentemente, contribuir para a diminuição de fatores de risco. Por isso, era de se esperar que houvesse um acompanhamento destas atividades, já que as mesmas exercem influência nos resultados encontrados no estudo.

Considerando que doenças cardiovasculares são hoje a maior causa de morte no mundo, e não apenas nos Estados Unidos, é preciso que a  continuidade de  estudos que avaliem o impacto da alimentação. Além disto, o desenho do estudo deve ser  claro o suficiente para que se possa avaliar o papel da mudança da alimentação.  Assim, os profissionais poderão indicar melhores alternativas para cada paciente de acordo com as evidências científicas.

 

Comentado por

Beatriz Mennella
Estagiária de Nutrição do Insira Educacional

 

Silvia Ramos
Nutricionista CRN3/10908

 

REFEFÊNCIA

NAJJAR, Rami S.; MOORE, Carolyn E.; MONTGOMERY, Baxter D.. A defined, plant-based diet utilized in an outpatient cardiovascular clinic effectively treats hypercholesterolemia and hypertension and reduces medications. Clinical Cardiology, [s.l.], v. 41, n. 3, p.307-313, mar. 2018. Wiley. http://dx.doi.org/10.1002/clc.22863. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29575002>. Acesso em: 17 abr. 2018.

APOIO

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (Brasil). Doenças cardiovasculares. 2017. Disponível em: <http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5253:doencas-cardiovasculares&Itemid=839>. Acesso em: 18 abr. 2018.

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