Importância da avaliação do estado nutricional em crianças diagnosticadas com câncer

Por Maria Clara L. Eles e Silvia Ramos

 

Quando a multiplicação celular ocorre de forma desordenada ocorre o surgimento de tumores que podem atingir diversas partes do corpo e, quando malignos, são denominados câncer. Essa é uma doença catabólica, multifatorial que inclui fatores genéticos e ambientais, que resulta em alterações em diversos sistemas corporais e o metabolismo de proteínas, carboidratos e lipídios.

Os cânceres infanto-juvenis não possuem a mesma histologia ou frequência que os cânceres que acometem adultos, sendo mais comuns aqueles que atinge o sistema hematopoiético e os tecidos de sustentação; os com maiores taxas de acometimento são leucemia, linfomas, tumores do sistema nervoso, tumores ósseos, oculares, entre outros.

Um grande problema dos tumores encontrados em crianças é que esses possuem um menor período de latência, desse modo, no geral, apresentam crescimento rápido e invasivo e por isso necessitam de tratamento rápidos e combinas, entretanto, apesar da maior agressividade, crianças apresentam melhores respostas ao tratamento e muito deve-se ao diagnósticos precoce; melhoras no tratamento proposto; mas, principalmente devido a iniciativa hospitalar em aprimorar os cuidados de suporte, como a nutrição. Entretanto, apesar desses avanços o câncer ainda representa uma das principais causas de morte na infância e adolescência.

Muitos estudos relevam que o estado nutricional na hora do diagnóstico impacta diretamente sobre as perspectivas de recuperação, apesar desses conhecimentos a desnutrição ainda é encontrada em 8% dos casos, sendo mais comum nos casos de neuroblastoma, sarcomas e Tumor de Wilms.

Além da desnutrição ser, muitas vezes, inerente ao diagnóstico essa pode surgir e/ou ser agravada pelo tratamento quimioterápico combinado a radioterapia pois estes levam a alterações na funcionalidade e características do trato gastrointestinal, como estomatite, diarreia, náusea, vômito, má absorção, anemia e xerostomia.

Outra ocorrência encontrada em 50% dos casos é uma densidade mineral óssea reduzida, especialmente em crianças após 6 meses do transplante de medula óssea, associado a queda significativa dos valores séricos de 1, 25-di-hidroxi vitamina D.

Com esses fatos, torna-se notória a importância da realização de uma avaliação nutricional, de qualidade, no momento da internação ou imediatamente após o diagnóstico. Pois, além de diagnosticar precocemente a desnutrição, proporciona o planejamento de estratégias para recuperar e/ou melhorar a qualidade de vida do paciente e evita que o crescimento da criança seja prejudicado com a presença de uma doença extremamente catabólica.

A terapia nutricional relatada como a estratégia nutricional mais usada, quando a oral não é possível ou como via de suplementação, é a enteral, pelo menor preço e chances de complicações e/ou infecções e por ser mais fisiológica. Seu principal objetivo, como mencionado, é fornecer uma nutrição suficiente para melhorar o peso corporal e o Índice de Massa Corporal (IMC). Existem diversos hospitais que, devido ao grande número de evidências científicas positivas, incluem a suplementação de ácidos graxos ômega-3 devido ao seu efeito anti-inflamatório; glutamina para diminuir a lesão da mucosa intestinal e estimular o apetite; principalmente em casos de leucemia.

Cabe ao nutricionista a avaliação e a evolução dos pacientes, contatando que este receba, não importando a via, uma alimentação equilibrada bem como adequada para manutenção do estado nutricional e ao ajuste do peso corporal.

 

Referências

BARR, Rd. Nutritional status in children with cancer: Before, during and after therapy. Indian Journal Of Cancer, [s.l.], v. 52, n. 2, p.173-177, 2015. Medknow. http://dx.doi.org/10.4103/0019-509x.175827. Disponível em: <http://www.indianjcancer.com/article.asp?issn=0019-509X;year=2015;volume=52;issue=2;spage=173;epage=175;aulast=Barr>. Acesso em: 08 nov. 2019.

BARR, Ronald D. et al. Importance of Nutrition in the Treatment of Leukemia in Children and Adolescents. Archives Of Medical Research, [s.l.], v. 47, n. 8, p.585-592, nov. 2016. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.arcmed.2016.11.013. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28476186>. Acesso em: 08 nov. 2019.

GAYNOR, Edward P T; SULLIVAN, Peter B. Nutritional status and nutritional management in children with cancer: Table 1. Archives Of Disease In Childhood, [s.l.], v. 100, n. 12, p.1169-1172, 30 jun. 2015. BMJ. http://dx.doi.org/10.1136/archdischild-2014-306941. Disponível em: <https://adc.bmj.com/content/100/12/1169.long>. Acesso em: 08 nov. 2019.

MELLO, Marielli Pacheco Brondani; BOTTARO, Silvania Moraes. Assistência nutricional na terapia da criança com câncer. Contexto Saúde, Rio Grande do Sul, v. 10, n. 9, p.9-16, dez. 2010. Disponível em: <file:///C:/Users/comunicacao/Downloads/1473-Texto%20do%20artigo-6089-1-10-20130613%20(1).pdf>. Acesso em: 14 nov. 2019.

MONTGOMERY, Kathleen et al. Perceptions of Nutrition Support in Pediatric Oncology Patients and Parents. Journal Of Pediatric Oncology Nursing, [s.l.], v. 30, n. 2, p.90-98, 4 fev. 2013. SAGE Publications. http://dx.doi.org/10.1177/1043454212471726. Disponível em: <https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1043454212471726?rfr_dat=cr_pub%3Dpubmed&url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&journalCode=jpob>. Acesso em: 08 nov. 2019

SILVA™, Maria Alice Gustavo da et al. Avaliação do Perfil Nutricional de Crianças e Adolescentes com Câncer. Saúde e Ciência, [s.l.], v. 7, n. 2, p.50-58, ago. 2018. Disponível em: <file:///C:/Users/comunicacao/Downloads/616-1642-1-SM%20(2).pdf>. Acesso em: 14 nov. 2019

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *