Estratégias para controle da glicemia em pacientes diabéticos

Por Maria Clara L. Eles e Silvia Ramos

 

Em indivíduos não diabéticos, após a digestão e absorção ocorre a liberação de insulina pelas células beta-pancreáticas ocorrendo uma diminuição da glicose sanguínea, como os diabéticos apresentam resistência ou insensibilidade à sua ação ela torna-se ineficaz não ocorrendo essa redução glicêmica, resultando em hiperglicemia.

A hiperglicemia pós-prandial é extremamente recorrente em pacientes diagnosticados com Diabetes Tipo 2, mesmo naqueles que possuem os níveis de HbA1c de abaixo de 7,0%., sendo caracterizada por <7,8 mmol / L de açúcar no sangue após duas horas da refeição.

De forma crônica, esse aumento de glicose fora dos parâmetros normais está relacionado a maiores riscos no desenvolvimento de doenças cardiovasculares futuras, como a aterosclerose, uma vez que os picos glicêmicos aumentam o estresse oxidativo e este é prejudicial para o endotélio vascular.

O ser humano passa a maior parte do tempo em estado pós-prandial e devido a esse fato é importante o desenvolvimento de manejos nutricionais que melhorem os parâmetros de glicemia pós-prandial, tornando-os ideias. Atualmente, diversos estudos que apontam que a glicemia pode ser modulada através de quatro abordagens, sendo elas: quantidade e tipo de carboidrato; consumo de proteínas; adequando os horários e a sequência do consumo alimentar nas refeições e promoção da atividade física pós refeições. Abaixo, as abordagens serão abordadas separadamente.

Carboidratos correspondem ao principal macronutriente ingerido ao longo de todas as refeições do dia na forma de amido, açúcar ou fibra alimentar; assim como é o mais presente na dieta é o que possui maior impacto na elevação do índice glicêmico. Por esse fato é rotineiro que seja sugerido a esse paciente o controle na porção desse macro nas refeições, além dessa estratégia é possível que a seleção de carboidratos pelo baixo índice e carga glicêmica associado ao alto consumo de fibra alimentar solúvel resultam em uma taxa de  absorção lenta dos carboidratos no trato gastrointestinal o que compensa o atraso da secreção de insulina, o que impacta diretamente na resposta glicêmica pós-prandial.

A proteína exerce função na melhora das taxas glicêmicas aumentando o tempo de digestão atrasando o pico da glicemia, tornando mais difícil o aparecimento de hiperglicemia pós-prandial.

Outra maneira destacada pela literatura atual para tal controle dos picos glicêmicos é a partir do controle dos horários das refeições, tendo em mente que a grande parte das vias metabólicas envolvidas no controle da glicose são controladas pelo relógio circadiano ou também deixando o carboidrato para ser consumido ao final das refeições, dando prioridade para iniciar pelos vegetais e proteínas.

Também não pode ser excluída a prática de atividade física regular, uma vez que é evidenciado que esta melhora a sensibilidade a ação da insulina, além de aumentar a captação de glicose pelo músculo esquelético e, dessa maneira, diminuir a produção de glicose hepática.

Referência

CH’NG, Lau Zhi et al. Nutritional strategies in managing postmeal glucose for type 2 diabetes: A narrative review. Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews, [s.l.], v. 13, n. 4, p.2339-2345, jul. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.dsx.2019.05.026. Disponível em: <file:///C:/Users/comunicacao/Downloads/Nutritional%20strategies%20in%20managing%20postmeal%20glucose%20for%20type.pdf>. Acesso em: 05 nov. 2019

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