Efeito dos compostos bioativos do morango no perfil lipídico de pessoas com obesidade

Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

As frutas vermelhas são ricas em compostos bioativos. Vários destes componentes são identificados por seus efeitos fisiológicos na redução de riscos de doenças crônicas. Estes benefícios são devido ao alto teor de polifenóis e fibras principalmente em mirtilos, cranberries e morangos. 

A ação destes compostos em parâmetros metabólicos vem sendo amplamente estudada por muitos pesquisadores. Um estudo recém publicado na revista Nutrients apresentou um ensaio clínico randomizado (ECR) com a seguinte hipótese: que a suplementação dietética de morango, administrada como pó de morango liofilizado, irá melhorar o risco cardiometabólico em adultos com obesidade quando comparados ao grupo controle ao longo de 14 semanas.

Esse ECR foi multicêntrico, crossover, com duração total de 14 semanas e com 3 braços de intervenção, sendo 4 semanas em casa e 1 semana de washout (tempo de descanso entre as intervenções). 

As intervenções consistiam em:

  • Pó controle
  • Pó de morango liofilizado equivalente a 1 porção de morangos
  • Pó de morango liofilizado equivalente a 2 porções e meia de morangos

Todas deveriam ser reconstituídas em água e todos os grupos consumiram cerca de 32g/dia 

Os 33 participantes também foram instruídos a ingerir a bebida reconstituída por si só e não com uma refeição ou outro lanche para evitar os efeitos de confusão de outros fatores dietéticos.

Na tabela abaixo é possível observar a composição nutricional das 3 intervenções:

t1

Dados que foram coletados:

  • Recordatórios alimentares de 24h
  • Peso corporal
  • Altura
  • Circunferência da cintura
  • Pressão arterial sistólica e diastólica
  • Exames bioquímicos (glicose plasmática, hemoglobina glicada sérica, insulina sérica, perfil lipídico, entre outros)

Principais resultados

Na análise dos marcadores do controle glicêmico, houve um efeito significativo para a insulina sérica e resistência à insulina (HOMA-IR), que revelou valores significativamente mais baixos após a fase de alta dose de morango (pó equivalente a 2 porções e meia). 

Já no perfil lipídico observou-se um efeito significativo no colesterol LDL, o qual revelou valores mais baixos após a fase de alta dose de morango, em comparação com os valores nas fases de baseline, controle e baixa dose de morango. No entanto, nenhum efeito do tratamento foi observado sob o colesterol total e HDL e triglicerídeos séricos.

Estes efeitos hipolipemiantes dos morangos podem ser explicados pela fibra da fruta, fitoesteróis e uma combinação de polifenóis que interferem na digestão, absorção e excreção de lipídios.

Referência

Basu, Arpita et al. Dietary Strawberries Improve Cardiometabolic Risks in Adults with Obesity and Elevated Serum LDL Cholesterol in a Randomized Controlled Crossover Trial. Nutrients, [s.l.], v. 13, n. 5, May. 2021.

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