Dieta, microbiota intestinal e a prevenção do câncer de intestino

Por Luiza Thimoteo Cabral e Silvia Ramos

    O câncer de intestino abrange tumores no intestino grosso nas partes chamadas de cólon e reto, também conhecido como câncer colorretal. Esse tipo de neoplasia é a terceira mais comum no mundo e no Brasil. (World Cancer Research Fund ,2018; INCA, 2018). Um dos fatores determinantes para o desenvolvimento do câncer colorretal é a dieta, assim como fatores ambientais, suscetibilidade genética, idade e estilo de vida.

   Além da dieta exercer papel importante para a prevenção do câncer, ela influencia diretamente a composição e função da microbiota intestinal. Sendo que os microrganismos que compõe a microbiota variam de acordo com a localização, idade, sexo, etnia e ingestão alimentar. Estudos atuais em relação à microbiota câncer colorretal mostram que fatores ambientais têm maior influência na composição quando comparados à genética e aos polimorfismos individuais de nucleotídeo único (SNPs).

   Os indivíduos que apresentam um desequilibro microbiano, apresentam baixa diversidade bacteriana e isso pode ser caracterizado como disbiose e, está associada ao início e desenvolvimento desse tipo de neoplasia. Estudos revelaram que bactérias específicas, incluindo Escherichia coli produtora de colibactina, Bacteroids fragilis, Fusobacterium nucleatum e Providencia, podem contribuir para o desenvolvimento do câncer colorretal, juntamente com uma diminuição significativa de bactérias produtoras de butirato, como Roseburia e Fecalibacterium.

    Existem fatores presentes nos alimentos que ajudam na prevenção do câncer, entre eles a fibra alimentar, uma das responsáveis pela diversidade na composição da microbiota. A fibra é considerada benéfica na prevenção do câncer devido aos produtos da sua fermentação como os ácidos graxos de cadeia curta, como por exemplo o butirato que atua com propriedades anti-inflamatório e antineoplásicas. Um estudo comparou amostras fecais de vegetarianos, veganos e controles com uma dieta onívora, e verificou-se uma redução significativa de Enterobacteriaceae em veganos em comparação com indivíduos controle onívoro, enquanto os vegetarianos classificaram entre os dois grupos.

   Apesar das diversas pesquisas demostrarem o efeito da fibra na prevenção do câncer colorretal, outros estudos não obtiveram resultados relevantes. Fatores como estilo de vida, atividade física, ingestão de vitamina D e ingestão de fibra não suficiente para atingir o nível para produzir butirato para proteger contra inflamação, neoplasia e agentes cancerígenos.

    O consumo de gordura foi relacionado ao aumento do câncer de intestino, em estudos com animais, a dieta hiperlipídica estimulou a secreção de ácidos biliares e causou a regressão de epitélio, danificou a mucosa intestinal e aumentou o risco de desenvolver câncer. Entretanto, estudos prospectivos de coorte humana não demonstraram o mesmo resultado. A relação encontrada entre o alto consumo de gordura total, os tipos de gordura (saturada, monoinsaturada e polinsaturada) e o risco de devolver o câncer de intestino não são conclusivos, pois os resultados são divergentes nos estudos citados.

    A proteína animal está associada ao aumento do risco de câncer de intestino, após evidências de diversas pesquisas. A Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC) em 2015 classificou o consumo de carne vermelha como “provavelmente carcinogênico para humanos” e a carne processada como “carcinogênica para seres humanos”. O mecanismo relacionado ao malefício da carne vermelha é que durante o processo de cozimento excessivo são produzidos cancerígenos como aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, sendo que as aminas heterocíclicas são altamente mutagênicas, ou seja, induz a mutação causando danos no DNA. Outro fator citado em quatro estudos é o alto consumo de ferro heme presente na carne vermelha que pode levar à formação de compostos N-nitroso cancerígenos e à peroxidação lipídica, contribuindo para o desenvolvimento do câncer.

    Outros tipos de carne, como a suína, aves e peixes não têm resultados conclusivos sobre a relação com o aumento do risco de desenvolver câncer colorretal. Em relação ao consumo de leite, é recomendado seu consumo devido a quantidade de cálcio presentes nos produtos lácteos, porém sua associação com o câncer ainda não está totalmente esclarecida.

    Desta forma, a para a prevenção do câncer colorretal o mais recomendado é seguir uma alimentação com alto consumo de fibras e redução do consumo de carne vermelha e processada. Em relação ao consumo de gordura ainda são necessários mais estudos.

Referências:

Instituto Nacional de Câncer. Números de câncer, 2018. Disponível em: < https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer>.

World Cancer Research Fund. Worldwide cancer data: Global cancer statistics for the most common cancers, 2018. Disponível em: <https://www.wcrf.org/dietandcancer/cancer-trends/worldwide-cancer-data>.

YANG, Jia; YU, Jun. The association of diet, gut microbiota and colorectal cancer: what we eat may imply what we get. Protein Cell, 2018. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007/s13238-018-0543-6>.

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