Dieta Mediterrânea e Síndrome Metabólica

Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

A Dieta Mediterrânea é um padrão alimentar da cultura de países do Mediterrâneo. O consumo é voltado a frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, azeite, peixe, nozes, maior consumo de carnes magras no lugar de carnes gordurosas ou processadas, consumo moderado de laticínios e ingestão de pequenas doses de vinho, principalmente vinho tinto durante as refeições.
Junto aos hábitos alimentares agrega-se o estilo de vida Mediterrâneo, no qual valoriza-se a interação social, a alimentação em grupos, tradições culinárias, descanso rápido após as refeições e prática regular de atividade física.
Já é bem descrito na literatura científica os efeitos benéficos desse padrão alimentar em distúrbios metabólicos, como diabetes mellitus tipo 2, síndrome metabólica, obesidade e doenças cardiovasculares (DCV). Apesar da forte relação entre o estilo de vida e fatores de risco para estas doenças, ainda não é bem evidenciado o impacto da cultura mediterrânea na saúde a longo prazo.
Um estudo de coorte publicado recentemente apresentou a relação entre o padrão de vida mediterrâneo com a frequência de síndrome metabólica e risco de mortalidade cardiovascular e por múltiplas causas.
Realizado na Espanha, o The Study on Nutrition and Cardiovascular Risk in Spain (ENRICA) acompanhou 11.091 voluntários durante 8,7 anos. Utilizou-se o Índice MEDLIFE, o qual pontua o conjunto de comportamentos que caracterizam o estilo de vida mediterrâneo. Composto por 28 itens, através dele foi avaliado o consumo e hábitos alimentares, a atividade física, descanso e convívio social. Também foi realizado o diagnóstico da síndrome metabólica (SM) de acordo com a definição mundial da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e Associação Americana do Coração.
Entre seus resultados destaca-se a pontuação do MEDLIFE, que variou entre 5 e 23 pontos. Em relação ao diagnóstico da SM foi observado 1.612 casos.
Através de um estudo de coorte é possível fazer associações sem causalidades, e por isso maiores pontuações no índice MEDLIFE foram associadas a níveis mais baixos de HOMA-IR e proteína C- reativa.
No desfecho de mortalidade foi constatado que durante o período de acompanhamento ocorreram 330 mortes totais, incluindo 74 por DCV. A incidência para mortes por todas as causas foi de 2%, enquanto por DCV foi de 0,7%. Ao se comparar os níveis de pontuação é possível observar que os índices mais altos tiveram menor risco de morte por DCV e outras causas.
Em síntese, uma maior adesão ao estilo de vida mediterrâneo foi associada a menor prevalência de SM e diversos fatores de risco para DCV, reduzindo também a mortalidade por DCV e outras causas após o acompanhamento médio de 8,7 anos.
No entanto, apesar deste estudo ter uma amostra representativa da população na Espanha, a generalização dos resultados para outras culturas deve ser feita de maneira cautelosa, respeitando os hábitos culturais locais.

Referência: SOTOS-PRIETO, Mercedes et al. Association between the Mediterranean lifestyle, metabolic syndrome and mortality: a whole country cohort in Spain. Cardiovascular Diabetology, Espanha, v. 20, n. 5, Jan. 2021.

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