Dieta DASH: Uma opção para a Hipertensão Arterial

Por Renata Soares e Silvia Ramos

Nutri, que o consumo excessivo de sódio, bebidas alcoólicas, cigarro, sedentarismo e excesso de peso contribuem com o aumento da pressão arterial você já sabe.

Agora, o que os estudos apontam é que uma dieta vegetariana e uma condição saudável no dia a dia influenciam na diminuição da pressão arterial e, a dieta DASH (Dietary Approch to Stop Hypertension), neste contexto tem o papel de agregar nutrientes com potencial efeito hipotensor oriundos de alimentos que são habitualmente consumidos pela população. A ingestão de nutrientes que auxiliam na redução de níveis pressóricos, como potássio, magnésio, cálcio e fibras alimentares faz com que a dieta seja recomendada em diretrizes internacionais e nacionais para a diminuição da pressão arterial.

No Brasil, a “IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial’’ foi a primeira a citar a dieta DASH, contudo somente na Diretriz de 2006 que houve de fato a recomendação como parte do tratamento não farmacológico da hipertensão arterial, e prevalece em todas as atualizações até hoje.

Abaixo trouxemos dois estudos realizados em referência a dieta DASH  comentados:

Em 2014 Lima et al., realizou um ensaio clínico randomizado controlado (n=206) que teve como objetivo avaliar o impacto de um padrão chamado de  Dietary Approch to Break Hypertension (BRADA) que seria similar a dieta Dash, porém  com baixo índice glicêmico e restrição de sódio adaptada ao padrão alimentar brasileiro.Foram acompanhados indivíduos com idade media de 60 anos por 06 meses onde foram randomizados em dois grupos (GE – grupo experimental e GC – grupo controle), o estudo avaliou redução dos níveis de  glicose e colesterol com hipertensão arterial (HA) em uma  região de baixa renda do Brasil. A diferença média foram CT sérico (−46,6 mg / dL; P <0,01) e LDL-c (−42,5 mg / dL; P <0,01), TGs (−31,3 mg / dL; P <0,01), glicose em jejum (-9,6 mg / dL; P <0,01). Os resultados deste estudo  indicaram que a dieta foi eficaz para tratar a HA, melhorar o perfil lipídico e outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Em 2017 Drehmer et al., realizou uma análise transversal (n=10.010) que teve como objetivo identificar padrões alimentares por meio de frequência alimentar (QFA) em adultos brasileiros com idade entre 35 e 74 anos em seis capitais brasileiras. Um indicativo de qualidade da dieta DASH foi elaborado para estimar a aceitação à esta dieta. Foi criada uma pontuação para calcular a ingestão de frutas e vegetais, nozes, legumes, grãos integrais e produtos lácteos com baixo teor de gorduras, assim como carnes vermelhas e processadas, sódio e bebidas açucaradas versus a sua associação com síndrome metabólica. Neste estudo, a frequência de síndrome metabólica foi menor em grupos com maior adesão a dieta Dash. Vale ressaltar que aqueles com maior adesão eram em maioria mulheres, idosos, brancos, com diploma universitário, fumavam menos, bebiam menos álcool, eram mais ativos e tinham menor índice de massa corporal (IMC). Desta forma, não houve uma homogeneidade da amostra.

As análises resgatam a importância da dieta DASH não só para hipertensos, como para como para outras condições crônicas que afetam o metabolismo como a diabetes mellitus e a síndrome metabólica.

No contexto brasileiro, a adoção de uma padrão alimentar próximo à dieta Dash apesar de corresponder a uma intervenção adequada, encontra diversos obstáculos na inclusão no dia-a-dia.  Esses obstáculos devem ser quebrados por profissionais da saúde devidamente qualificados em orientações sobre o consumo de alimentos mais naturais concomitantemente à redução de ultraprocessados.

Além disto, vale frisar a complexidade de fatores relevantes inerentes ao consumo alimentar de uma população (biológicos, econômicos, sociais, oferta/disponibilidade dos alimentos, entre outros) que também influenciam na adaptação a dieta DASH.

Conheça melhor a Dieta DASH e aplique para seus pacientes, depois conte como foi para a gente.

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