Descubra os parâmetros nutricionais dos pacientes idosos com doença renal crônica

Por Anna Gomes e Silvia Ramos

Sabe-se que com o decorrer do envelhecimento do indivíduo acontecem mudanças psicológicas, estruturais e motoras, ocasionando em uma perda funcional. Este processo pode estar atrelado ao aparecimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, prejudicando ainda mais sua funcionalidade e dificultando o desenvolvimento de suas atividades cotidianas.

A doença renal crônica pode acontecer em decorrência da hipertensão, diabetes e entre outros fatores. Esta condição clínica acarreta na falência renal, sendo necessário uma terapia renal substitutiva, que é o caso da hemodiálise. O artigo em questão trata-se de um estudo transversal com abordagem descritiva e analítica realizado na cidade de Santa Maria (RS), em duas unidades de uma clínica renal referência de atendimento do Rio Grande do Sul, com o intuito de avaliar os parâmetros nutricionais entre homens e mulheres em tratamento hemolítico.

Participaram do estudo 122 idosos, sendo que a maioria possuía menos de 80 anos, cor branca e viviam com o companheiro. Além disso, a maior parte da amostra era composta por homens, o que é um fator comum, sendo que a hemodiálise tem uma prevalência de 58% no sexo masculino.

Quanto aos parâmetros nutricionais, encontrou-se relação entre os valores de Índice de Massa Corporal (IMC), quilocalorias, proteína, carboidrato, fósforo, potássio, vitamina D e kt/V. Conforme demonstrado na tabela abaixo:

Variáveis Homens (n= 72) Mulheres (n=50) P
IMC kg/m²26,69 ±4,2224,77 ± 5,960,039
Kcal totais1665,17 ± 546,281310,27 ± 567,920,001*
Proteína (g)70,78 ± 26,4452,44 ± 24,300,000*
Carboidratos (g)218,54 ± 73,91181,29 ± 81,540,010*
Fósforo (mg)897,19 ± 323,40736,66 ± 333,380,009*
Potássio (mg)1885,70 ± 744,241576,52 ± 769,550,028*
Vitamina D (ng/L)31,56±11,3227,09±10,190,028*
Kt/v1,35±0,291,63±0,310,000*

O IMC é um parâmetro muito utilizado apesar de todas as suas limitações, através dos valores obtidos no estudo é possível identificar que as mulheres tendem a ter uma maior perda de massa corporal que os homens. Além disso, no idoso acontece naturalmente uma diminuição das fibras musculares, levando a uma fraqueza muscular que pode ocasionar quedas e fraturas.

Os pacientes com doença renal crônica e idosos tendem a ter dificuldades de atender as necessidades nutricionais diárias, sendo assim, o risco de desnutrição é elevado. Referente ao consumo alimentar, verificou-se que nutrientes como proteínas, fósforo, potássio e carboidratos são mais consumidos por homens do que pelas mulheres.

Outro ponto importante é que estes pacientes tendem a ter valores de Vitamina D abaixo do adequado, uma vez que a baixa exposição ao sol, alimentação inadequada e o próprio percurso da doença favorecem a hipovitaminose ocasionando efeitos prejudiciais. Vale ressaltar que estudos anteriores demonstraram que valores menor igual a 23nd/dL de vitamina D, estão atrelados a um maior risco de mortalidade de pacientes em hemodiálise. Quanto a este parâmetro bioquímico, os homens apresentaram valores maiores que as mulheres. 

Para a adequação da diálise é necessário que os pacientes apresentem valores de Kt/v maiores que 1,20, o (K) representa a depuração de uréia do dialisador, que é multiplicada pelo tempo de tratamento (t) e dividida pelo volume de distribuição de uréia do paciente (V). Ambos os sexos apresentaram valores dentro do recomendado, sendo que as mulheres demonstram um resultado de adequação melhor que os homens.

Os autores concluíram que é necessário realizar avaliação nutricional periódica nestes pacientes, visando a melhora do estado nutricional e adesão às orientações. Sendo que, os parâmetros nutricionais diferem-se entre os sexos, uma vez que a composição corporal, hábitos e estilo de vida são diferentes.

Referência

TRENHANGO, Emili Paixão; ROLAND, Luana Firavanti; ROSA, Mariane; DALLEPIANE, Loiva Beatriz. Parâmetros Nutricionais entre Homens e Mulheres Idosos com Doença Renal Crônica em Tratamento Hemodialítico. Contexto & Saúde, 2020. vol. 20, n. 41, p. 47-53. Disponível em: https://revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoesaude/article/view/11437

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *