Compreendo a síndrome pós-COVID-19


Por Elizabeth Mendes e Silvia Ramos

A COVID-19 é uma doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave de Coronavírus 2). Diversos estudos vêm sendo realizados a fim de compreender as consequências deste vírus na saúde humana. Porém, tem se observado também que a infecção pode afetar a longo prazo diversos órgãos e sistemas.

A Síndrome pós-aguda COVID-19 pode ser definida como uma complicação na qual o indivíduo apresenta sintomas persistentes e/ou complicações a longo prazo após as 4 semanas iniciais dos sintomas. Segundo a literatura atual ela pode ser categorizada em:

  1. COVID-19 sintomático subagudo ou contínuo → inclui sintomas presentes de 4 a 12 semanas além da fase aguda;
  2. Síndrome crônica ou pós-COVID-19 → inclui sintomas persistentes ou presentes além das 12 semanas após o início da fase aguda.

Uma revisão publicada recentemente na revista Nature Medicine apresentou a epidemiologia de sequelas da Síndrome pós-aguda COVID-19. Dividido por categorias, as principais complicações são apresentadas no quadro abaixo:

Sequelas Características
Pulmonares Foi observado que os pacientes pós-covid podem apresentar dispnéia, fibrose pulmonar e micro ou macrotrombos no pulmão.

 

Hematológicas Foi identificado tromboembolismo venoso devido ao estado hiper inflamatório e hipercoagulável.

 

Cardiovasculares Dor torácica e palpitações foram observadas, além da possível inflamação miocárdica.

 

Neuropsiquiátricas Os pacientes podem apresentar mal-estar crônico, dores de cabeça semelhantes à enxaqueca, sintomas depressivos, problemas no noite e dificuldade de concentração.

 

Renais Foi observado lesão renal aguda principalmente naqueles pacientes com infecções graves que precisaram de ventilação mecânica durante o tempo de internação.

 

Endócrinas Cetoacidade diabética foi uma das principais alterações encontradas em pacientes sem diabetes mellitus. Outras variações observadas: tireoidite subaguda, tireoidite de Hashimoto, desmineralização óssea (associada à inflamação sistêmica, imobilização, exposição à glicocorticóides e insuficiência de vitamina D).

 

Gastrointestinais e hepatobiliares Ainda não foram descritas sequelas significativas pós-COVID-10, porém já foi descrito que a doença pode alterar o microbioma intestinal através do aumento de organismos infecciosos e diminuição de comensais benéficos.

 

Dermatológicas A perda de cabelo é o aspecto mais predominante.


Referência

NALBANDIAN, Ani et al. Post-acute COVID-19 syndrome. Nature Medicina (2021). https://doi.org/10.1038/s41591-021-01283-z 

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