Transição comportamental pessoa com diabetes – Um olhar para Educação em Diabetes

Nutricionista membro da Sociedade Brasileira de Diabetes/SBD e Colaboradora do GECD comenta a eficácia da educação em diabetes como principal processo em bem-estar para seu portador

Por Luana Amorim

Conscientizar os portadores de diabetes da importância da doença, fazendo o autocontrole e prevenindo complicações crônicas em busca da melhor qualidade de vida é o processo feito pela Educação em Diabetes.

Essa doença faz com que seja necessária a modificação de hábitos e o desenvolvimento de cuidados especiais. Para assegurar um resultado efetivo é preciso conduzir o paciente por meio da mudança de comportamento que contempla 5 estágios. Em cada um o indivíduo encontra-se em condições diferentes, levando a abordagens distintas.

“Para cada estágio de comportamento existem ferramentas específicas, que podem ser usadas durante o atendimento para levar o indivíduo de um grau para o outro. São apresentados os riscos e benefícios dos hábitos que a pessoa com diabetes possui e a partir disso o profissional retrata um balanço dessas decisões. É necessário que o próprio paciente visualize essas questões para que consiga dar passos em direção ao próximo estágio de mudança”, comenta Silvia Ramos, nutricionista membro da Sociedade Brasileira de Diabetes/SBD e colaboradora do Grupo de Educação e Controle do Diabetes (GECD).

A conversão entre os estágios pode levar 6 meses ou mais, salientando que é um caminho e ao mesmo tempo que o paciente avança pode também regredir. Isso porque, muitos comportamentos causam ambivalência, querem e não querem mudar o comportamento e até mesmo sabem que é necessário, porém não conseguem.

“Uma das ferramentas que pode ser utilizada é o balanço decisório, nele é feita uma lista com os benefícios de mudar o comportamento e os malefícios em continuar. Em alguns casos, há o benefício em continuar com o comportamento ruim, mas a longo prazo determinadas atitudes podem não ser benéficas. Outra ferramenta é a régua da prontidão, nela, de 0 a 10, o paciente indica o quão pronto está para fazer mudanças. Se a resposta for menor que 7 o paciente revê se realmente conseguirá atingir aquele objetivo”, aponta a colaboradora.

O autocuidado é então imprescindível ao paciente, isso quer dizer que a pessoa está no centro do seu próprio controle, fazendo com que seja necessário que ela entenda todas as possibilidades, a fim de que gerencie seus hábitos.

“Recentemente as Diretrizes Americanas e Europeias para diabetes, indicam que é preciso fazer um plano baseado em metas específicas, temporais, mensuráveis e alcançáveis para que o paciente esteja no centro do autocuidado. O objetivo é a motivação intrínseca por meio da aprendizagem ‘no fazer’, além disso, o uso de desafios e metas pode ser facilitadores do processo de educação em diabetes”, conclui Silvia.

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