Ferramentas de coaching x comportamento alimentar: O que podemos usar?

Por Luana Amorim

O Insira Educacional teve em uma de suas palestras do ciclo Nutri 360°, o tema “Ferramentas de coaching x comportamento alimentar: O que podemos usar?”, ministrada pela Coach de saúde e bem Estar, especialista em Nutrição Clínica e Cardiologia e com experiência em Nutrição Clínica, preventiva e check up, a Nutricionista Rosana Raele.
A equipe de comunicação do Insira Educacional conversou com a docente para esclarecer as principais dúvidas acerca do tema que está em alta no mercado da saúde e nutrição. Confira:

Insira Educacional: Como o coaching pode potencializar resultados em benefício do comportamento alimentar?

Rosana Raele: O coaching pode auxiliar no processo da mudança de comportamento, mas é diferente de outros métodos que transferem para o profissional a responsabilidade do tratamento. No coaching o próprio paciente deve se sentir responsável por ele mesmo para dar início ao processo de adesão. Desta forma, compreender o estágio motivacional em que o paciente se encontra é muito importante, e cabe ao profissional entender o contexto da situação para consolidar a relação entre paciente e profissional.

I.E.: O comportamento alimentar envolve diversos fatores, que vão muito além do ato de comer, entre eles vida social, relacionamentos e diversão. Quais ferramentas podem ser usadas para entender esses aspectos?

R.R.: Uma das ferramentas mais práticas e interessante é a roda da vida. Ela é um instrumento utilizado para entender o paciente como um todo. Nele o próprio paciente irá se auto avaliar dentro de um contexto amplo e social, frente a diversos aspectos da vida. Os instrumentos podem ser adaptados, sendo importante observar até onde vai a propensão do mesmo para mudanças. Um outro instrumento que pode ser utilizado é a teia do comportamento alimentar, envolvendo somente o comportamento alimentar, sendo avaliado, por exemplo, o consumo de verduras, frutas, doces e até consumo de bebidas alcóolicas. Essa auto avaliação é onde o paciente faz reflexão, sempre buscando compreender a sua prontidão para mudança.

I.E.: A motivação é um fator de importância no momento de seguir uma dieta, como o profissional nutricionista deve trabalhar para levar seu paciente à motivação intrínseca?

R.R.: Frente a percepção do estágio de motivação do paciente, ocorre a atuação profissional. Se o paciente está em um estágio pré contemplativo por exemplo, dá-se o nome de ambivalente, onde apesar de estar consciente da situação importante para mudança, como exames alterados, presença de obesidade, por exemplo, o mesmo não consegue mudar. Como o paciente deve ver aquela situação para entender como chegar no resultado que espera?. A consulta de nutrição e coaching é como se fosse “negociada”, onde o profissional e paciente irão harmonicamente chegar a uma atitude, de forma juntos no processo de mudança. Pode ser explorada a ambivalência do paciente, mas é ele que vai ver a saída, o profissional somente indica o caminho.

I.E.: É comum que os pacientes se auto sabotem durante uma dieta, como o coaching trabalha para evitar esse acontecimento?

R.R.: O mais importante é não trabalhar com culpa, não existe alimento saudável e não saudável, o que existe é o comportamento saudável e não saudável. Comer sem culpa é a principal visão a ser direcionada. O ideal é tirar a ideia de culpa e entender até onde se pode ir, e assim ter prazer em comer. De forma que essa sabotagem deve primeiro ser entendida, e o exercício da roda da vida pode ajudar na compreensão do que está acontecendo na vida do paciente ao mesmo tempo fazendo-o enxergar melhor a situação em que se encontra. Um detalhe importante é a empatia, onde devemos ouvir ao máximo e junto com o paciente chegar a uma solução. A psicologia positiva ajuda bastante, dizer ao paciente que sim ele consegue, mudar sua visão para que comece a se sentir eficaz, elevando a autoestima.

I.E.: Como o nutricionista que faça uma formação adequada em coaching pode implementar este serviço/benefício para seus clientes no dia-a-dia?

R.R.: O primeiro ponto é ser menos tecnicista e mais humanista, ou seja, por mais que se use cálculo de dieta, trabalhar outras formas com o paciente como, a escuta ativa, a entrevista motivacional ou outro instrumento no qual o profissional se sinta mais à vontade em trabalhar.
I.E.: Como você considera o cenário de coaching de emagrecimento praticado por não nutricionistas. Qual o impacto disto? Pode gerar um transtorno?

R.R.: O coaching começou com a psicologia, mas hoje ele é usado em diversas áreas, sendo assim, o maior cuidado é para que não seja banalizado e atrapalhe a atuação do profissional nutricionista. Então é necessário que cada profissional saiba até onde pode ir e trabalhe com equipe multiprofissional se for o caso. Mesmo que alguns instrumentos sirvam para todos, como a roda da vida, as atitudes a serem tomadas são diferentes e devem ser direcionadas para cada área. O mais importante é respeitar sua atuação profissional de maneira ética sempre.

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