Cirurgia Bariátrica em Idosos: O que dizem os estudos recentes

Por Paula Amorim e Silvia Ramos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2002) é considerado idoso indivíduos ≥ 60 anos (em países em desenvolvimento), ≥ 65 anos (em países desenvolvidos) e grande idoso: 80 e 85 ou mais. E a projeção feita pelo IBGE é que em 2050 a população mundial tenha 13,7 milhões de pessoas com idade ≥ 80 anos.

Com o envelhecimento, o ganho de peso é comum para homens e mulheres, pois ele traz mudanças na composição corporal, e isso ocorre porque todas as pessoas perdem massa muscular e ganham gordura corporal, mesmo aquelas fisicamente ativas.

A prevalência de obesidade tem aumentando progressivamente, mesmo entre a população mais velha. Segundo a recente pesquisa do Vigitel (2018), houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. O Brasil nos últimos três anos apresentava taxas estáveis da doença. Desde 2015, a prevalência de obesidade se manteve em 18,9%.

As incidências de hipertensão, diabetes e síndrome metabólica estão positivamente correlacionados com idade e índice de massa corporal (IMC). A cirurgia bariátrica é a única opção de tratamento com perda de peso sustentável e resolução de propostas entre pacientes com obesidade mórbida. Entre todos pacientes com obesidade mórbida, os idosos apresentam um desafio de tratamento para cirurgiões bariátricos. Limites de idade mais altos para cirurgia bariátrica são questionados em relação ao aumento das taxas de complicações em idosos e eficácia.

Atualmente, Bypass gástrico em Y de Roux (RYGB) e gastrectomia vertical (SG) são os procedimentos bariátricos mais comumente realizados no mundo. E o procedimento RYGB, atualmente é considerado o padrão de ouro, e tem sido rotineiramente usado na última década.

A gastrectomia vertical mostrou um aumento acentuado, representando mais de 50% de todas as intervenções bariátricas primárias apenas em 2016. Meta-análises foram conduzidas para comparação de RYGB e SG, mas a maioria dos estudos incluíram pacientes com menos de 65 anos ou não realizaram análises estratificadas de acordo com a idade. Portanto, grande parte dos estudos pode não se aplicar a pacientes idosos.

Além disso, não há diretrizes claras sobre quais procedimentos devem ser realizadas em pacientes idosos com obesidade em termos de segurança e eficácia.

Um estudo publicado em 2018 no periódico Frontiers in Endocrinology teve como objetivo avaliar a progressão do risco de doenças cardiovasculares e a ocorrência de complicações cardíacas em uma coorte de pacientes submetidos à RYGB. Este concluiu que a perda de peso obtida através da cirurgia RYGB foi associada a uma redução substancial do risco de doenças cardiovasculares e evitou a ocorrência de complicações cardíacas. Além disso, pacientes idosos, assim como os diabéticos e experimentam uma redução de risco de doenças cardiovasculares superior, além de poder ter benefícios adicionais na sáude cardiovascular após cirurgia bariátrica, apesar de apresentar perda de peso semelhante e melhoria dos fatores de risco.

Um estudo publicado no mês de março desse ano no periódico Obesity Surgery teve como objetivo avaliar os resultados da cirurgia bariátrica em pacientes com idade ≥ 70 anos. A revisão foi realizada com pacientes submetidos à cirurgia laparoscópica de Roux Bypass gástrico Y (RYGB) entre 2001 e 2018.

Os resultados mostraram que em um total de 23 pacientes com idade média de 72 anos (faixa de 70 a 80 anos) e IMC médio de 43,3 (faixa de 37,3 a 56,0), a média de 1 ano de perda total de peso foi de 29%, e isso foi mantido nos acompanhamentos subsequentes. O percentual de perda de peso excedente em 1 ano foi de 60%, mantido a longo prazo em 61%.

O estudo concluiu que o procedimento RYGB laparoscópico é um tratamento seguro e eficaz para a obesidade e comorbidades relacionadas a mesma em idosos com idade ≥ 70 anos.

Outro estudo publicado nesse mês de abril no mesmo periódico Obesity Surgery, teve como objetivo realizar uma revisão sistemática e metanálise para avaliar se, em pacientes idosos que necessitam de cirurgia bariátrica, a SG é melhor que RYGB em termos de segurança, perda de peso e controle de comorbidades.

Esta metanálise envolveu dezenove estudos. As pesquisas mostram que as taxas de complicações precoces e tardias no RYGB foram muito mais altas do que aqueles na SG. Mais especificamente, dentro de 30 dias após cirurgias, ocorreram complicações como vazamentos, infecção do trato urinário, obstrução e morte.

Porém o RYGB foi melhor que o SG em termos de remissão da hipertensão arterial e o resultado da perda de peso após 1 ano, enquanto não houve diferenças em termos de remissão do diabetes tipo 2 e apneia obstrutiva do sono, bem como perda de peso durante 2 e 3 anos de acompanhamento.

O estudo concluiu que o SG pode ser melhor opção que o RYGB para pacientes idosos, mesmo demonstrando ser inferior ao RYGB em termos de eficácia, é mais seguro que o RYGB, pois obteve menos complicações precoces e tardias, menor taxa de readmissão, taxa de reoperação e mortalidade em 30 dias.

RYGB resultou em maiores resultados de perda de peso e resolução da hipertensão em idosos obesos. Contudo, as falhas mencionadas acima limitaram a estatística das análises realizadas. Portanto, são necessários mais estudos para estabelecer mais profundamente quais procedimentos trazem melhores resultados em pacientes idosos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

PEREIRA, Pedro R.; GUIMARÃES, Marta; MORAIS, Tiago; PEREIRA, Sofia S.; NORA, Mário; MONTEIRO, Mariana P.. Diabetic and Elder Patients Experience Superior Cardiovascular Benefits After Gastric Bypass Induced Weight Loss. Frontiers In Endocrinology, [s.l.], v. 9, p. 1-9, 28 nov. 2018. Frontiers Media SA. http://dx.doi.org/10.3389/fendo.2018.00718.

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HAMMOND, Jacob B.; WEBB, Christopher J.; PULIVARTHI, Venkata S. K. K.; PEARSON, David G.; HAROLD, Kristi L.; MADURA, James A.. Is There an Upper Age Limit for Bariatric Surgery? Laparoscopic Gastric Bypass Outcomes in Septuagenarians. Obesity Surgery, [s.l.], p. 1-5, 9 mar. 2020. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s11695-020-04532-1.

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