Carne vermelha e risco de desenvolvimento de câncer de mama – visão dos estudos atuais

Por Silvia Ramos 

Globalmente, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e o segundo maior em incidência de morte por câncer.

Dados de estudos populacionais e prospectivos, publicados em 2018, apontam a relação do consumo de carne vermelha ou carne processada ao risco aumentado de vários tipos de câncer, incluindo o de mama.

Embora seja questionado, o papel específico da carne vermelha e/ou processada, cada vez mais se tenta entender o padrão alimentar como um todo. Isso porque, os padrões alimentares relacionam-se melhor com a forma na qual as pessoas comem e aos riscos para a saúde.

Uma meta-análise de estudos prospectivos publicados até dezembro de 2015, por Wu et al., mostraram que os padrões alimentares que enfatizavam a ingestão de soja e leite desnatado estavam associados a um menor risco de câncer de mama, enquanto os padrões que enfatizavam a ingestão de carnes vermelhas, processadas e totais estavam associados ao maior risco de câncer de mama.

Em 2015, o grupo de pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), concluiu que o consumo de carne vermelha era um provável carcinógeno humano, enquanto a carne processada foi classificada como carcinogênica.

Farvid e cols, da Harvard University, compilaram em sua revisão sistemática recente (setembro/2018), 20 artigos, sendo 13 coortes. O intuito, foi avaliar o efeito do consumo da carne vermelha e/ou processada no câncer de mama, além do status de receptores hormonais ligados ao estrógeno e a progesterona. Foi comparado o mais alto e o mais baixo consumo, tanto para a carne vermelha (fig. 1) quanto para carne processada (fig. 2).

Fig.   1 – Carne Vermelha

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Fig.   2 – Carne Processada

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BWHS, Black Women Health Study; CNBSS, Canadian National Breast Screening Study; CSA, California Seventh‐day Adventist; EPIC, European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition cohort; MPCDRF, the Monitoring Project on Cardiovascular Disease Risk Factors; NHSII, Nurses’ Health Study II; NIH‐AARP, National Institute of Health‐ the American Association of Retired Persons; NLCS, The Netherland Cohort Study; SMC, Swedish Mammography Cohort; SU.VI.MAX, Supplemental en Vitamines et Mineraux Antioxydants; UKWCS, The UK Women’s Cohort Study.

Os resultados indicaram que a carne processada 1,09 (IC95%: 1,03, 1,16) e a carne vermelha 1,06 (IC95%: 0,99; 1,14) [com moderada inconsistência entre os estudos para carne vermelha] estão relacionados ao câncer de mama.

Embora haja lacunas em relação a atribuição da carne vermelha no câncer de mama, o seu papel já é esclarecido no câncer gastrointestinal. Ainda em relação à consistência dos dados, é importante avaliar a forma de coleta dos dados de consumo alimentar. Na revisão de Farvid e cols, apenas dois estudos usaram registro alimentar, os demais usaram o QFA como método de coleta. Ajustes em relação à quantidade consumida, foi feita para cada uma das coortes analisadas, pois houve diferenças para consumo por dia, consumo por semana e consumo por 1000/Kcal.

Em conclusão, o consumo de carne processada pode ser considerado preditor de câncer de mama. A quantidade de carne vermelha também está relacionada com o CA de mama em alguns estudos [NutriNet Santé e UWKCS]. Há necessidade ainda de padronização da forma de consumo isolada ou combinada ao padrão alimentar para que uma recomendação formal seja feita.

 

Referências

  1. Farvid, M ., et al. (2018), Consumption of red and processed meat and breast cancer incidence: A systematic review and meta‐analysis of prospective studies. Int. J. Cancer.doi:10.1002/ijc.31848
  2. Dandamudi A. et al. Review: Dietary Patterns and Breast Cancer Risk: A Systematic Review Anticancer Res June 2018 38 (6) 3209-3222; doi:10.21873/anticanres.12586
  3. Anderson JJ, etal. Red and processed meat consumption and breast cancer: UK Biobank cohort study and meta-analysis. Eur J Cancer. 2018 Feb;90:73-82. doi: 10.1016/j.ejca.2017.11.022
  4. Wu J.  et al. Dietary Protein Sources and Incidence of Breast Cancer: A Dose-Response Meta-Analysis of Prospective Studies. Nutrients 2016, 8(11), 730; doi:10.3390/nu8110730
  5. The Lancet Oncology.  V16, dez 2015. doi: org/10.1016/ S1470-2045(15)00444-1

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