Autoeficácia paterna na promoção de dietas protetoras de obesidade infantil e associações com a ingestão alimentar das crianças

Por Silvia Ramos

Os comportamentos parentais dos pais contribuem para o desenvolvimento dos comportamentos alimentares das crianças o que tem impacto no peso corporal. No entanto, a maioria das pesquisas concentra-se nas influências maternas. Este estudo buscou compreender as percepções dos pais quanto à sua eficácia para influenciar os comportamentos alimentares das crianças, e desta forma permitirá o desenvolvimento de intervenções com envolvimento de toda a família na promoção de comportamentos protetores da obesidade.

O estudo investigou:
1) rastreamento da auto-eficácia paterna na promoção de uma ingestão protetora de obesidade em crianças pequenas;
2) características demográficas dos pais e sua categoria de autoeficácia;
3) associações entre a autoeficácia paterna e a ingestão alimentar de crianças pequenas.
A Teoria Social Cognitiva sugere que os comportamentos parentais em torno da ingestão dietética das crianças são um resultado da interação entre a percepção parental de sua capacidade de realizar o novo comportamento (autoeficácia), crenças parentais, incluindo o valor do novo comportamento (expectativas de resultados) e o ambiente social e físico no qual a parentalidade ocorre.

 

Métodos
A autoeficácia paterna para promover a ingestão dietética protetora da obesidade infantil foi avaliada longitudinalmente em pais ( n  = 195) no Programa de Avaliação da Atividade de Alimentação e Nutrição Infantil em crianças de 4 a 36 meses de idade. A analise foi feita por meio de regressão logística multinominal e examinou as categorias de rastreamento de autoeficácia (persistentemente alta; persistentemente baixa; aumentando; diminuindo) por idade paterna, escolaridade e IMC. A regressão linear examinou associações entre as categorias de rastreamento de autoeficácia paterna e a ingestão dietética (consumo de água, frutas, vegetais e bebidas não essenciais) de crianças aos 36 meses.

 

Resultados
Autoeficácia paterna para promover a ingestão dietética protetora de obesidade infantil reduzida ao longo do tempo, ou seja aos 4 meses era maior que aos 36 meses de idade. Os pais com maior escolaridade ou grau universitário tinham menor chance de ter autoeficácia persistentemente baixa / decrescente (97% e 87% menor, respectivamente) em comparação com pais com ensino médio.
O aumento da autoeficácia foi associado com maior consumo de frutas e vegetais e menor consumo de bebidas não essenciais. A diminuição da autoeficácia foi associada ao menor consumo de frutas, vegetais e água e maior consumo de bebidas não essenciais. A autoeficácia persistentemente elevada foi negativamente associada a bebidas não essenciais.

 

Conclusões
A autoeficácia paterna mais elevada e/ou sustentada está associada à educação do pai e é importante na promoção da ingestão dietética protetora da obesidade infantil. Este estudo contribui com a investigação no foco paterno é inovadora e pode demostrar o papel da família nos aspecto da prevenção da obesidade infantil. Intervenções familiares futuras devem considerar como manter e/ou melhorar a autoeficácia paterna para promover a ingestão alimentar protetora desde a infância.

 

Referência
Walsh AD, Hesketh KD, Hnatiuk JA, Campbell KJ. Paternal self-efficacy for promoting children’s obesity protective diets and associations with children’s dietary intakes. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity (2019) 16:53 https://doi.org/10.1186/s12966-019-0814-5

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