Até quando posso confiar no rótulo de um alimento denominado integral?

Atualmente, a obesidade é considerada um sério problema de saúde pública, sendo preponderante para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como Diabetes tipo 2, Doenças Cardiovasculares, Dislipidemias, entre outras. Levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso.
Vinculado a esse crescente número de obesos, o interesse por uma alimentação mais saudáveis aumentou nos últimos anos. Dentre as mudanças, destaca-se a substituição de alimentos refinados para integrais, devido à maior oferta de fibras.
Com o aumento na procura de alimentos integrais, a indústria passou a produzir maiores variedades desses alimentos, entretanto, a falta de parâmetros de quantidades mínimas de farinha integral, indica que, mesmo um produto com quantidades mínimas dessa farinha, poderão conter no rótulo a inscrição “integral” o que leva ao consumidor, na maioria das vezes, informações errôneas ou ilusórias, influenciando ao consumo de produtos que “não são o que aparentam ser”.
Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 70% das pessoas observam os rótulos no momento da compra. No entanto, mais da metade não compreende adequadamente o significado das informações. Uma pesquisa realizada em 2013 pelo Idec concluiu que os consumidores têm muitas dúvidas sobre os rótulos.
Em um estudo, a estudante de pós-graduação do Insira Educacional Jessica Rodrigues Zamboni, analisou as informações nutricionais contidas em 35 rótulos de 6 marcas diferentes de pães contendo a expressão “integral” na embalagem. O estudo concluiu que, apesar de todos os produtos analisados apresentarem farinha de trigo integral, 82,85% dos rótulos não identificaram o percentual utilizado dessa farinha, o que, segundo a Resolução RDC nº 90, de 18 de outubro de 2000, é obrigatório quando o produto apresentar esse tipo de ingrediente em sua composição.
É sabido que os ingredientes devem estar descritos no rótulo em ordem decrescente. Nos produtos analisados, 25,71% apresentaram a farinha de trigo tradicional como primeiro item na lista de ingredientes, destes, 5,71% apresentavam a farinha integral como segundo ingrediente e 19,99% não apresentavam a farinha integral nem como segundo ingrediente. Além disso, 65,71% dos rótulos apresentavam açúcar na composição.
Em 2005, o WGC implementou um selo para produtos integrais, presente em mais de 9,200 produtos em 41 países, incluindo o Brasil, este selo foi implantado no rótulo a fim de auxiliar os consumidores na escolha de produtos integrais, no entanto, poucas são as marcas o trazem.
Recentemente o Idec defendeu regras para alimentos integrais reforçando a necessidade de se reavaliar as informações contidas nesses alimentos, o Instituto propõe exigir quantidade mínima significativa de farinha ou cereal integral para o produto poder ser declarado como tal.
Até as regras serem impostas, temos que tomar muito cuidado na hora de comprar esses alimentos. Ser rotulado como integral nem sempre garante quantidade suficiente de grãos integrais. Leia o rótulo!

Referências
Anvisa. Em reunião na Anvisa, Idec defende regras para alimentos integrais.
Brasil. RDC nº 54, de 12 de novembro de 2012. Dispõe sobre o Regulamento Técnico sobre Informação Nutricional Complementar. Diário Oficial da União 19 nov. 2012.
Brasil. Congresso Nacional. Substitutivo ao Projeto de Lei nº 5.081, de 2013. Dispõe sobre o uso da expressão “integral e afins” na rotulagem de alimentos à base de cereais. Projeto tramitando no Congresso Nacional para aprovação.
Brasil. Resolução RDC nº 359, de 23 de dezembro de 2003. Aprova Regulamento Técnico de Porções de Alimentos Embalados para Fins de Rotulagem Nutricional. Diário Oficial da União 26 dez. 2003.
Gigante D.P, Moura E.C, Sardinha L.M.V. Prevalência de excesso de peso e obesidade e fatores associados, Brasil, 2006. Rev. Saúde Pública, v.43, p. 83-9, 2009.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2011.
Paula TP, Steemburgo T, Almeida JC, Dall’Alba V, Gross JL, Azevedo MJ. The role of dietary approaches to stop hypertension (DASH): diet food groups in blood pressure in type 2 diabetes. Br. J. Nutr. 2012; 108(1):155-62.
Silva VC, Gallan CW, Theodoro H. Avaliação das rotulagens e informações nutricionais dos pães integrais: fibras, sódio e adequação com a legislação vigente. [monografia na internet]. Demetra; 2014.
Whole Grains Council. Whole Grain Stamp?

Por
Jessica Rodrigues Zamboni
Nutricionista Especialista em Nutrição Humana e Terapia Nutricional – insira
Fabiana Lascala
Estagiária de Nutrição
Silvia Ramos
Nutricionista CRN3-10908

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