Associação entre Acantose Nigricans e outros fatores de risco cardiometabólico em crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade

Acantose nigricans (AN) é considerada uma doença de pele caracterizada por manchas aveludadas e escuras em dobras do corpo, que vem sendo associada à hiperinsulinemia e à obesidade. As áreas mais afetadas frequentemente, são o pescoço e as axilas.
No Brasil, nos últimos anos, houve aumento expressivo da incidência e prevalência da obesidade entre crianças e adolescentes, chegando à 14,1.
Comumente, na vigência da obesidade múltiplas alterações metabólicas, culminam síndrome metabólica. Grupo de distúrbios que inclui, além da obesidade, a resistência à insulina, dislipidemia e/ou alteração da pressão sistólica que aumentam o risco cardiovascular mesmo na faixa etária pediátrica. A prevalência da resistência à insulina na infância é pouco conhecida, pois há dificuldade em diagnosticá-la.
Existem muitos métodos para estimar o grau de sensibilidade individual à insulina, e os indicadores mais utilizados são o HOMA-IR (homeostasis model assessment – insulin resistance) e o teste de tolerância oral à glicose (TTOG).
No exame físico, o aumento da circunferência abdominal e a presença de Acantose nigricans podem ser observadas quando há hiperinsulinismo e obesidade severa.
Neste estudo, foram avaliadas 161 crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade, que se dividiu em dois grupos. O grupo um (G1) constituído por 83 com AN e o grupo dois (G2) com 78 sem AN. A média de idade foi parecida entre os grupos. Assim, foi obtida a medida do peso e aferida a altura dos pacientes para calcular o índice de massa corporal (IMC) e para a classificação do estado nutricional de cada indivíduo foi utilizado o escore do índice de massa corporal (Z-IMC) calculado pelo software WHO- anthroplus 2007 (Organização Mundial da Saúde, Genebra, Suíça). Foram feitas outras avaliações como física, aferição da pressão arterial (PA), concentrações séricas de colesterol total e resistência insulínica com o HOMA-IR.
Entre os resultados, dados antropométricos demonstraram diferença entre os dois grupos, com relação ao IMC 27,4 kg/m² na presença de AN e 23,4 kg/m² na ausência e a média de (p<0,001). Ao Z-IMC na presença de NA 2,5 e na ausência 1,88 com a média (p<0,001). Já na porcentagem de gordura corporal 43,0% na presença, 36,1% na ausência, com a média (p<0,001) e a CA com 84,2cm na presença, 75,0cm na ausência e a média (p<0,001), confirmando que pacientes com acantose apresentavam índices de adiposidade maiores (Tabela 1). Na análise da média dos valores pressóricos tanto sistólicos como diastólicos, também foi possível observar a diferença entre os grupos. O HDL‑colesterol na presença de AN está 43,0 mg/dL e na ausência 48,1 mg/dL, então mostra que a média é menor no G1 do que no G2 (p=0,003) (Tabela 1).
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A glicemia de jejum e a insulina foram maiores no G1, a glicemia de jejum com 89,2 mg/dLª e a insulina 15,1 microUI/mL quando comparadas as do G2 com 84,1 mg/dLª e 11,3 microUI/mL, a média foi de (p=0,006 e p<0,0001, respectivamente). O índice HOMA‑IR foi maior no G1 com 3,2 e a média (p<0,0001) (Tabela 1) — estava alterado em 54,2% dos indivíduos deste grupo e em 32% dos integrantes do G2. As concentrações basais de insulina variaram de 4,63 a 117,2 microUI/mL no G1 e de 3,1 a 35,2 microUI/mL no G2; e estavam acima de 15 microUI/mL em 50,60% das crianças e dos adolescentes do G1 e em 21,8% dos indivíduos do G2. Utilizando os critérios de Almeida et al., a frequência de níveis alterados de insulina ocorreu em 66,2% do grupo com AN e em 50% do grupo sem AN.
Entretanto, o grupo com AN (G1) constituído por 27 indivíduos do sexo masculino e 56 do sexo feminino, foi o que mostrou maior IMC, Z-IMC, CA, % de gordura corporal, PA, insulina, HOMA‑IR, TGO, gama GT, ácido úrico e menor HDL‑colesterol. Além disso, houve correlação entre HOMA‑IR, insulina e níveis
pressóricos.
Os dados permitem concluir que Acantose Nigricans tem associação com alterações metabólicas, resistência insulínica, hiperinsulinemia obesidade e síndrome metabólica. Sendo considerado a importância do adequado exame físico para detecção da AN e acompanhamento das variáveis metabólicas influenciada por elas.

Por
Leticia de Lima Silva
Estagiária de Nutrição e Marketing

Dra. Silvia Ramos
Nutricionista
CRN3: 10908

REFERÊNCIA:
PALHARES, Heloísa Marcelina da Cunha; ZAIDAN, Paula Cunha; DIB, Fernanda Cristina Mattos; SILVA, Adriana Paula da; RESENDE, Daniela Cristina Silva; BORGES, Maria de Fátima. ASSOCIAÇÃO ENTRE ACANTOSE NIGRICANS E OUTROS FATORES DE RISCO CARDIOMETABÓLICO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM SOBREPESO E OBESIDADE. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822018000300301&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 07 fev. 2019.

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