Aspectos nutricionais na prevenção do câncer de mama

Por Luana Amorim

Em decorrência a campanha Outubro Rosa a equipe de comunicação do Insira Educacional esclareceu com a nutricionista Tatiane Fujii as principais dúvidas acerca dos aspectos nutricional na prevenção do câncer de mama. Confira:

Insira Educacional: Qual o papel da avaliação do perfil genético e a relação do padrão alimentar para câncer de mama?

Tatiane Fuji: Exames que chamamos de nutri genética são preditivos, uma vez realizado não é necessário repetir, porque todas as alterações genéticas constatadas são oriundas do momento da concepção do indivíduo, sendo assim, é possível trabalhar com a prevenção. Fazer esse exame permite conhecer os riscos genéticos, possibilitando um trabalho mais personalizado para que aumente o status de saúde, não somente na parte nutricional com a adequação de nutrientes, mas também, no estilo de vida. Há um alto índice de pessoas que não são ativas, com perfil sedentário e isso contribui efetivamente para o ganho de peso. Já na menopausa há muitas alterações hormonais que atreladas ao sobrepeso e ao sedentarismo constituem um maior risco para o desenvolvimento do câncer de mama.

I.E.: Pensando em painel genético, quais polimorfismos temos hoje que podem ser relacionados ao câncer de mama?

T.F.: Pensando no papel da nutrição e do câncer de mama para, por exemplo, a obesidade é possível identificar o polimorfismo no gene do FTO, receptor de vitamina D e citocinas pró-inflamatórias que elevam o risco de processos inflamatórios aumentados. Existem polimorfismos também no receptor de progesterona que, em algumas mulheres, apresenta um tipo de tumor. Dessa forma, alguns polimorfismos são chaves para o reconhecimento reduzido o que aumenta a chance de câncer de mama.

I.E.: Manter um peso corporal adequado também pode ajudar na prevenção do câncer de mama?

T.F.: Manter um bom estado nutricional é importante porque está associado com o consumo alimentar, ainda mais, se levado em consideração que metade da população tem excesso de peso e são altos os quadros de mulheres obesas. Essa obesidade não se relaciona somente com o sedentarismo, mas também com o consumo inadequado de nutrientes. O aumento de peso aliado ao hábito alimentar inadequado, ocasiona em alterações no organismo, sendo essas geradoras de processos inflamatórios que contribuem para a formação do tumor. No pós-menopausa é possível evidenciar ainda mais esse excesso de peso, pois muitas são as alterações hormonais, aumentando a adiposidade e mesmo que a pessoa tenha uma vida ativa a tendência é que aja o aumento de peso, o que colabora para o câncer de mama.

I.E.: Sabemos hoje que a carne processada e a carne vermelha estão relacionadas ao desenvolvimento do câncer de mama. Como você avalia isso em termos de recomendação? É possível reduzir o consumo?

T.F.: O consumo excessivo de carne, principalmente processada, potencializa o risco do câncer de mama, por ter uma alta quantidade de nitrosaminas, que são substâncias que favorecem o aumento de carcinogênese e a partir do momento que o organismo não faz um bom reconhecimento dessas substâncias há maior potencial de aumento do tumor, que associado a outros fatores de risco como a genética, estilo de vida e alterações hormonais pode ser potencializado. É possível reduzir o consumo de carne e até mesmo substituir por outra fonte de proteína, desde que se tenha um acompanhamento nutricional adequado.

I.E.: Quais hábitos e comportamentos diminuem a chance de câncer de mama?

T.F.: O ideal é uma alimentação com menor ingestão de açúcar, atenção a quantidade de carne e aumento do consumo de frutas e hortaliças. É importante o uso de alimentos orgânicos, pois ao ser estimulado o consumo as frutas e hortaliças podem conter muito agrotóxico o que prejudica ao invés de ajudar. Realizar atividades físicas frequentes se torna imprescindível dentro desse cenário, orientada por um profissional, pois o excesso de exercícios aumenta o estresse oxidativo o que pode não ser bom dentro do quadro que o indivíduo se encontra. O que também é muito importante é ter uma boa noite de sono, ter uma rotina de sono adequada contribui para que o estresse seja melhor modulado. Sendo esses três pilares alimentação, atividade física e sono, importantes para proteger o organismo para o câncer de mama.

I.E.: Alimentos funcionais são uma alternativa?

T.F.: Eles podem contribuir principalmente por dois mecanismos, a redução do processo inflamatório e colaborar para a melhora do estresse oxidativo. Os alimentos funcionais aliados a uma alimentação saudável, por meio de mecanismos de harmonia, conseguem melhorar o processo de eliminação de substâncias carcinogênicas, protegem o DNA e a condição imunológica trazendo assim bons resultados.

I.E.: Nutrientes isolados funcionam?

T.F.: Quando administrado um nutriente de maneira isolada é importante pensar na capacidade que ele possui, pois, sua ação é superior à do alimento que possui em sua composição outros nutrientes. No momento de uma suplementação é necessário relacioná-la ao que a pessoa já faz de uso como, por exemplo, medicamentos, que podem interferir e também atentar-se a absorção que pode não ser tão eficaz. Fatores esses que devem ser analisados individualmente pensando de maneira harmoniosa e equilibrada, dessa forma fica a critério do profissional prescrever um nutriente isolado.

I.E.: Pacientes com pré-disposição ao câncer de mama devem adotar uma dieta diferente?

T.F.: A adoção de hábitos saudáveis vale para a população como um todo, mas especificamente para quem tem pré-disposição por um parentesco muito próximo o ideal é procurar um profissional, que possa orientá-la em relação a alimentação adequada e macro e micro nutrientes. Essa propensão é descoberta por meio de exame genético, no entanto, o custo desse procedimento é alto, mas há uma obrigatoriedade para que os convênios cubram essas despesas para pessoas com histórico familiar.

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *