Alimentação e Composição Corporal em RNPT: leite humano x fórmulas

Texto comentado do artigo : “Protein use and weight-gain quality in very-low-birth-weight preterm infants fed human milk or formula”

Nutrir adequadamente os recém- nascidos é um dos grandes desafios dentro da neonatologia. Pierre Budin, ao desenhar a primeira unidade neonatal para prematuros em 1896, enfatizava a importância do controle da temperatura, da nutrição, do controle de infecção e da presença da mãe junto ao bebê.
O maior desafio refere-se a determinação das necessidades nutricionais uma vez que elas variam de acordo com à patologia, estresse metabólico, peso entre outras variáveis.
As proteínas representam os principais componentes nutricionais para o desenvolvimento de novos tecidos. A taxa e a composição relativa do ganho de peso dependem da adequação da proteína: energia da dieta e da qualidade do suprimento de proteína Uma ingestão de energia não proteica adequada promove o equilíbrio por limitar a quantidade de aminoácidos utilizados para o metabolismo oxidativo e não para deposição de tecido magro. Assim, quando a ingestão de energia é deficiente, a deposição de tecido livre de gordura é evitada, enquanto um excesso de consumo de energia promove a deposição de gordura
A qualidade das proteínas também pode desempenhar papel importante na promoção do crescimento adequado em lactentes prematuros. Devido aos seus substanciais benefícios para a saúde a curto e a longo prazo nas funções imunológicas, gastrointestinais e neurodesenvolvimento.
Este estudo objetivou investigar o equilíbrio proteico de acordo com a alimentação (leite materno enriquecido x fórmula infantil) e a associação destes com o conteúdo de massa livre de gordura, corrigidos para idade à termo em RNBP (recém-nascido de baixo peso).
O critério utilizado para a seleção dos RN foi apresentar a data de nascimento entre novembro de 2014 e abril de 2016, com idade gestacional ≤32 semanas, peso ao nascer <1500g, e percentil ≥ 10º, de acordo com a tabela de crescimento de Fenton (16). Todos apresentavam uma condição clínica estável, sem anormalidades congênitas ou cromossômicas ou condições que poderiam interferir no crescimento.Foram determinadas as ingestões de macronutrientes e o percentual proteico. As medidas antropométricas avaliadas foram (peso, comprimento, perímetro cefálico) a composição corporal foi avaliada por sistema de pletismografia* por deslocamento de ar. A idade foi ajustada para nascimento à termo. Os resultados informam que 17 RN foram alimentados com leite humano fortificado, e 15 com as fórmula. Apesar da ingestão de macronutrientes semelhantes, os RNs do primeiro grupo apresentaram maior balanço de nitrogenado em comparação ao segundo grupo. Quanto ao crescimento, ambos os grupos apresentaram resultados próximos. Observou-se ainda que RNs alimentados com leite humano apresentaram um ganho maior de massa muscular livre de gordura. Com isso, este estudo conclui que apesar da composição nutricional semelhante, o leite materno tem um papel superior às formulas ao que tange à composição corporal. Entretanto, é primordial o trabalho e incentivo multidisciplinar no preparo da mãe para práticas de amamentação e/ou ordenha, especialmente àquelas que tiveram partos pré-termo. *Pletismografia = A pletismografia é um método rápido e fácil para a determinação da composição corporal. Utiliza a relação inversa entre pressão (p) e volume (v), baseado na Lei de Boyle (P1V1 = P2V2) para determinar o volume corporal. Uma vez determinado este volume, é possível aplicar os princípios da densitometria para a determinação da composição corporal através do cálculo da densidade corporal (D = massa/volume). É considerado padrão ouro para a análise da composição corporal. Pode ser utilizado em diferentes populações de crianças a idosos. Fonte: MORLACCI, Laura et al. Uso de proteínas e qualidade de ganho de peso em recém-nascidos prematuros de peso muito baixo com leite humano ou fórmula. The American Journal of Clinical Nutrition , volume 107, edição 2, 1 de fevereiro de 2018, páginas 195-200. Disponível em < https://goo.gl/ieFsTp > Acesso em 09 mar 2018.
Complementar:
Fenton TR, Kim JH. Uma revisão sistemática e meta-análise para revisar o gráfico de crescimento de Fenton para recém-nascidos prematuros. BMC Pediatr 2013;13:59.

Adriana Loiola
Estagiária em Nutrição

Silvia Ramos
Nutricionista- CRN3/10908

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