A importância do Índice Glicêmico

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre dieta, “Nutrição e prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT)”, o consumo alimentar habitual constitui um dos principais fatores modificáveis do estilo de vida e está relacionada com a prevenção das DCNT e/ou de suas complicações 1. A quantidade e a qualidade dos carboidratos da dieta vêm sendo consideradas importantes fatores dietéticos envolvidos no controle glicêmico 2.

O conceito de índice glicêmico (IG) foi introduzido por Jenkins com a finalidade de quantificar a concentração de glicose plasmática em resposta à ingestão de alimentos 3. A composição e concentração de carboidratos varia nos diferentes tipos de alimentos fonte, o que influencia a taxa de absorção e, consequentemente, a liberação de insulina e glicemia 4. O IG compara quantidades iguais de carboidrato a partir de um alimento-controle (normalmente pão branco) fornecendo sua qualidade, ou seja, a velocidade em que o carboidrato se “transforma” em açúcar. Alguns exemplos podem ser observados na tabela 1.

bnnnFonte: Adaptado de Dias et al 2; Tabela internacional 5

 

Alimentos de elevado IG são rapidamente digeridos, absorvidos e convertidos em glicose, o que influencia a liberação de grandes quantidades de insulina pelo organismo a fim de tentar manter os níveis glicêmicos dentro de limites normais.

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Esse processo resulta em menor saciedade após as refeições e podem causar consumo calórico excessivo, contribuindo para o desenvolvimento de obesidade e piora da resistência à insulina. Entretanto, não devemos nos atentar apenas ao consumo isolado do alimento, uma vez que outros componentes da dieta podem influenciar seu índice glicêmico6, 7.

Teores de proteína, gordura e carboidrato influenciam diretamente no esvaziamento gástrico, na absorção da glicose, secreção de insulina e indiretamente no IG. Alimentos não-refinados têm distintas vantagens sobre as versões refinadas, como farinha e arroz brancos, em virtude da maior presença de firas. Além da composição o modo como esses alimentos foram preparados também poderá influenciar no IG. Por isso, balancear a refeição é de suma importância para que não ocorram picos de insulina ou glicemia8.

Segundo a ADA, mesmo que a adoção de dietas de baixo índice glicêmico passam reduzir a glicemia pós-prandial, ainda não existe evidencia suficiente para recomendação dietética baseada no IG dos alimentos para o tratamento isolado do DM9. Em contrapartida a FAO/WHO e a Canadian Diabetes Association (CDA) recomendam a aplicação do IG na escolha dos alimentos 10, 11. A ADA se mostrava mais resistente quanto ao uso do IG, alegando não haver estudos analisando a adesão dessa população a longo prazo9, em publicação mais recente, a sociedade já considerou o uso do IG e CG dos alimentos como coadjuvante no manejo dietoterápico no DM podendo gerar benefícios adcionais12.

Vale lembra que, assim como qualquer outra conduta nutricional, a indicação deve ser individualizada, em determinados casos, essa pode não ser bem aceita, portanto, o paciente com diabetes deve ser sempre acompanhado por profissionais e avaliados periodicamente quanto a alimentação e medicamentos.

Por

Fabiana Lascala
Estagiária de Nutrição

Silvia Ramos
Nutricionista CRN3-10908

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