A importância da suplementação do lactente (Prematuro)

 

Para oferecer um suporte nutricional adequado ao lactente prematuro é necessário compreender os mecanismos que levaram à interrupção da gestação e observar suas particularidades quanto à capacidade digestiva e demanda de macro e micronutrientes. O objetivo é atingir na vida pós-natal as taxas de crescimento intrauterino de fetos de mesma idade gestacional.
Na condição intrauterina, o estado anabólico do feto é dependente do aporte nutricional provido pela placenta. O nascimento prematuro interrompe a transferência de nutrientes e o recém-nascido é privado de um período crítico de crescimento intrauterino acelerado. Nos primeiros dias de vida, ocorre desequilíbrio entre oferta restrita de nutrientes e ineficiência do seu aproveitamento, e demanda metabólica aumentada pela presença de comorbidades, resultando em um déficit nutricional cumulativo.
As características do trato gastrointestinal do prematuro dificultam a abordagem. Pois há o receito da enterocolite necrosante e alta prevalência de intolerância alimentar dificultando sua introdução e progressão. O intestino é suscetível a processos inflamatórios devido à imaturidade da barreira mucosa e da resposta imune local. A capacidade de tolerar a introdução e a progressão da dieta enteral é outro aspecto particular no manejo clínico do recém-nascido, com impacto direto no sucesso. O maior tempo de esvaziamento gástrico, menor velocidade de propagação de líquidos e presença de patologias respiratórias são fatores predisponentes à intolerância alimentar. A abordagem nutricional do prematuro deve contemplar as particularidades com objetivo de atender as necessidades metabólicas. As demandas nutricionais dos prematuros são dinâmicas e sofrem influencia de diversos fatores como idade gestacional, peso, presença de morbidades. A tabela apresenta as diferentes necessidades nutricionais de um prematuro.
A terapêutica parenteral deve ser instituída nas primeiras horas de vida. Quando a imaturidade não permite o uso da via enteral. Em paralelo, a introdução do leite materno em pequenos volumes atua de forma trófica sobre o intestino, favorecendo seu amadurecimento. Induz incremento na atividade dos dissacarídeos intestinais, propicia a liberação de hormônios tróficos e estimuladores do trato gastrointestinal.
A AAP (Associação Americana de Pediatria) recomenda o leite materno como alimento preferencial para todos os recém-nascidos. Contudo, fórmulas hipercalóricas e a fortificação do leite materno têm como proposito ofertar nutrientes às necessidades do prematuro.
Portanto, a abordagem nutricional do paciente prematuro após a alta deve ser vista como continuidade do tratamento proposto em regime hospitalar. A escolha da melhor forma de nutrir estes pacientes é fundamentada no histórico neonatal, considerando medicações em uso, capacidade de tolerar volume, as patologias de base e as necessidades nutricionais específicas.
Referência: Programa de Educação Continuada em Suplementação Infantil. DOC Editora. Apoio Danone Nutrição Especializada.

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