Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prevalência de obesidade tem exigido esforços contínuos para seu controle e prevenção, uma vez que quando somada ao conjunto de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia e resistência à insulina, aumenta a morbimortalidade da população.
A programação fetal tem ganhado espaço para a prevenção da doença. A hipótese sugere que o ambiente em que o indivíduo está exposto antes do nascimento e/ou na infância, modula o controle fisiológico e a homeostase, resultando em uma maior probabilidade do desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) ao longo da vida adulta.
Na fase intrauterina, as mulheres transmitem informações do ambiente externo, como por exemplo o seu estado nutricional, por meio da placenta e, durante a amamentação, informações são transmitidas, apresentando efeitos permanentes sobre a estrutura e funções do organismo do lactente.
Segundo estudos, um recém-nascido prematuro ou com baixo peso ao nascer (BPN) tem maior susceptibilidade de apresentar um padrão metabólico “econômico”. A partir desta perspectiva, este crescimento fetal insuficiente, causaria uma diminuição do número de células pancreáticas e consequente, diminuição na capacidade de produzir insulina, que será manifestado na forma de resistência à insulina e estresse oxidativo, na fase adulta. (1)

Situações que alterem a função vascular durante a vida fetal e neonatal, como hiperglicemia, diabetes gestacional, resistência à insulina favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e endócrinas na vida adulta . Porém, o mecanismo pelo qual a hiperglicemia materna aumenta o risco metabólico em crianças ainda não é conhecido completamente. (1)
Pesquisas epidemiológicas têm confirmado a hipótese da resposta adaptativa, ao demonstrar que uma oferta alimentar abundante contribui para o catch‐up growth. O catch‐up growth é um fenômeno observado em crianças pequenas que consiste em aceleração de crescimento imediata, após removida a causa do déficit de crescimento, com uma velocidade anormalmente alta, seguida por uma desaceleração progressiva até o original ou normal. Todavia, ela é confirmada também quando se verifica ausência de obesidade abdominal, com desenvolvimento neuronal normal, em crianças que recebem nutrição adequada, porém não excessiva. (2)

Portanto, é importante avaliar o valor da nutrição do recém-nascido, pois com intervenções adequadas nutricionais ao longo da gestação e após o nascimento, é possível uma interação entre o genótipo e o ambiente de maneira positiva para a mãe e desenvolvimento do bebê. O pediatra e o nutricionista, tem um papel fundamental, pois cuida do ser humano no período em que há as maiores oportunidades de atuar e provocar mudanças, por conta da plasticidade do desenvolvimento.

Fonte:

(1) VÉLEZ, R. Robinson. Programación Fetal in utero y su impacto en la salud del adulto. Escuela de Medicina y Ciencias de la Salud, Universidad del Rosario, Bogotá DE, Colombia. Fevereiro, 2012.

(2) K.E. Ong, R.J. LoosRapid infancy weight gain and subsequent obesity: systematic reviews and hopeful suggestions. Acta Pediatr., 95 (2006), pp. 904-908
(3) World Health Organization (WHO). Population-based prevention strategies for childhood obesity: report of a WHO forum and technical meeting. Geneva: WHO; 2009. p. 15-7.

Adriana Loiola

Estagiária em Nutrição

Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

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