O episódio de compulsão alimentar ou ECA é caracterizado pela ingestão de uma grande quantidade de alimentos em um período de tempo delimitado, que pode variar de minutos até 2 horas, acompanhada da sensação de perda de controle sobre o que ou quanto se come. O transtorno pode ser diagnosticado de acordo com a frequência em que os episódios ocorrem, e são definidos segundo os critérios descritos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição (DSM-5).

O DSM- 5 define que quando os episódios de compulsão ocorrem em pelo menos dois dias por semana, nos últimos seis meses, associados as características de perda de controle e acompanhados de comportamentos compensatórios inadequados, o diagnóstico é confirmado.

Os transtornos alimentares apresentam uma estreita correlação com o abuso de álcool, pois podem estar relacionados a fatores como a falta de autocontrole, a necessidade de gratificação imediata, a falta de vínculos afetivos, co-morbidades como a ansiedade, depressão e predisposição biológica ao uso de substâncias psicoativas, além da obesidade que pode ser um fator influenciador.

Um estudo realizado por Silva et al. 2016, mostrou uma prevalência de episódios recorrentes de compulsão alimentar variando 12,8% na população em geral; 24,6% em adolescentes, com meninas apresentando maior prevalência do que meninos (31%); e até 39,3%, em adultos com excesso de peso. Já o realizado por Hood et al. 2013, encontrou uma prevalência de episódios com alta frequência de compulsão alimentar em adultos obesos (33%).

Os resultados de Silva et al, 2016, indicaram que existem alguns fatores que podem contribuir para uma maior ocorrência de episódios de compulsão alimentar, são eles: mulheres jovens, sobrepeso e obesidade, inatividade fisica, somado ao uso abusivo de álcool como comportamento compensatório. Sendo que as mulheres podem estar mais predispostas aos episódios recorrentes de compulsão, devido a supervalorização de padrões de estética e peso.

 O estudo também evidenciou que nestes casos podem acontecer um aumento na ingestão energética, devido ao alto consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar, resultando em excesso de peso. Porém, é válido citar que a diminuição da ingestão calórica diária, por preocupações excessivas com a manutenção de um corpo magro e dentro do “padrão”, podem ser também, caminhos para transtornos alimentares.

Ressalta-se neste caso a importância de uma abordagem multidisciplinar para o sucesso do tratamento do paciente com transtornos alimentares, sendo o nutricionista um profissional importante e habilitado para atuar na recuperação e introdução de hábitos e relações saudáveis e conscientes com a alimentação. São necessários mais estudos para investigar os fenômenos complexos e multidimensionais da compulsão alimentar e suas consequências relacionadas à saúde, incluindo a obesidade.

Fonte: DA SILVA, S. Thamyres et al. Fatores de compulsão alimentar, sociodemográficas e de estilo de vida em participantes da ELSA-Brasil. J Eat Disord, 2016. Disponível em < https://goo.gl/4mxzLe> Acesso em 08 fev, 2018.

SEGAL, Adriano et al. Psiquiatria e Transtornos Alimentares. ABESO, 2016. Disponível em: < https://goo.gl/41R7SL> Acesso em: 08 fev. 2018.

Hood MM, Grupski AE, Hall BJ, Ivan I, Corsica J. Estrutura do fator e utilidade preditiva da Binge Eating Scale em candidatos à cirurgia bariátrica. Surg Obes Relat, 2013. Disponível em < https://goo.gl/wJnTCv > Acesso em: 08 fev. 2018.

Adriana Loiola
Estagiária em Nutrição

Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *