A obesidade na infância é reconhecida como um emergente problema de saúde pública pelo aumento de sua prevalência, seu impacto negativo sobre a saúde física e psicológica da criança e pelo risco associado de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis em outras fases do curso da vida.

Neste sentido tem se estudado o impacto negativo do consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos e refrescos artificiais, sobre a qualidade da dieta e vida dessas crianças. Uma vez que, bebidas açucaradas possuem baixa qualidade nutricional (restringindo-se à oferta de açúcares, como sacarose e frutose), não proporcionam a mesma sensação de saciedade do que alimentos sólidos, estão associadas ao excesso de calorias ingeridas na dieta e também ao excesso de peso e à obesidade em crianças e adolescentes.

O estudo de Jaime et al. (2017), teve por objetivo avaliar a influência de hábitos familiares e características do domicílio sobre o consumo de bebidas açucaradas em crianças brasileiras menores de dois anos.

Como resultado desse estudo, foi possível notar que: O consumo de bebidas açucaradas foi identificado em 32% das crianças estudadas e esteve independentemente associado com as seguintes caraterísticas familiares e domiciliares: consumo regular de bebidas açucaradas pelo adulto residente no domicílio, hábito de assistir TV por mais de 3 horas diárias, maior idade, maior escolaridade, domicílio localizado na região Nordeste e número de componentes da família. Observou-se também maior prevalência de consumo nas crianças cujo adulto residente no domicílio consumia regularmente bebidas açucaradas (41,8%), quando comparado àqueles pares cujos adultos não consumiam (28,0%).

O Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos, publicado pelo Ministério da Saúde, recomenda que sejam evitados açúcar e refrigerantes, dentre outras guloseimas, nos primeiros anos de vida da criança. Ao contrário dessa recomendação, a prevalência de consumo de bebidas açucaradas, reconhecido como fator de risco para obesidade infantil, foi alta nas crianças menores de dois anos.

No conjunto de variáveis exploradas, dois hábitos familiares mostraram forte associação com o consumo de bebidas açucaradas pelas crianças: o consumo regular dessas bebidas pelos adultos e o hábito diário de assistir televisão por mais de três horas. Mecanismos causais têm sido propostos para explicar a relação entre comportamentos sedentários, como ver televisão por muitas horas e padrão alimentar não saudável. Uma das causas pode ser a exposição à publicidade de alimentos, visto que os refrigerantes e outras bebidas açucaradas são frequentemente objeto de forte marketing.

Desta forma, destaca se a importância de medidas que incluam ações de educação alimentar e nutricional que envolvam pais, famílias e cuidadores de crianças, mas também ações de controle da indústria de alimentos, como a regulação da publicidade de alimentos.

Fonte: JAIME, Patricia Constante et al. Influência familiar no consumo de bebidas açucaradas em crianças menores de dois anos. Revista de Saúde Pública.  51Supl 1:13 s, 2017. Disponível em: < https://goo.gl/NG8ALB> Acesso em: 23 jan. 2017.

Mayara Ribeiro

Assistente de Comunicação

Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

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