Durante a terapia antineoplásica, os pacientes apresentam vários sinais e sintomas que levam à diminuição da ingestão diária de nutrientes e calorias, o que contribui para o declínio do estado nutricional. O déficit do estado nutricional está relacionado com diminuição da resposta ao tratamento oncológico e da qualidade de vida, condicionando maiores riscos de complicações pós-operatórias, como aumento da morbimortalidade, do tempo de internação e dos custos hospitalares.

Outras complicações da terapia oncológica, tais como trismo, mucosite e neutropenia, também podem estar presentes. Trismo é uma complicação que consiste numa constrição mandibular devido à contratura involuntária dos músculos mastigatórios que ocorre em de 25% a 30% dos pacientes submetidos a tratamento de radioterapia isolada ou associada à quimioterapia para câncer de cabeça e pescoço. Além desse sintoma, mucosite, xerostomia, disfagia e odinofagia são frequentes. Esses sinais e sintomas contribuem para maiores prejuízos no estado nutricional e aumento da toxicidade, o que prolonga o tratamento e está associado a piores desfechos clínicos.

A toxicidade do tratamento de radioterapia e quimioterapia leva à ingestão oral insatisfatória e, nesse contexto, a intervenção nutricional, por meio da orientação dietética, e a prescrição de suplementos nutricionais visam ao aumento na ingestão de calorias e proteínas, à menor perda de peso e à melhora do estado nutricional, dos sinais e dos sintomas, com consequente melhora na qualidade de vida.  Pequenas e constantes modificações da dieta oral, como aumento da densidade calórica e proteica, adequação da consistência às preferências e palatabilidade do paciente e o aumento do fracionamento, são estratégias que devem ser utilizadas precocemente durante o tratamento antineoplásico.

Os ácidos graxos ômega 3, eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosa-hexaenoico (DHA) têm sido estudados em pacientes com câncer com queixa de anorexia e perda de peso. Esses ácidos apresentam vários benefícios, como a redução da degradação proteica induzida pelo fator de indução da proteólise, a prevenção do turnover proteico hepático, a inibição da IL-6 e a inibição do fator tumoral mobilizador de lipídio.

Outro imunonutriente que pode apresentar efeitos benéficos aos pacientes em tratamento antineoplásico é a glutamina. Sua principal via de ação com efeitos benéficos no tratamento da mucosite é a parenteral. Outro ponto importante é o uso de probiótico, prebiótico e simbiótico para auxiliar no tratamento da diarreia e da constipação intestinal.

Um elevado percentual de pacientes em quimioterapia e radioterapia pode desenvolver diarreia. Nessa situação, a orientação dependerá da gravidade de cada caso. A dieta deve ser isenta de alimentos irritantes da mucosa intestinal, de alimentos laxativos, de lactose, além de ser isenta também de fibras insolúveis e ricas em líquidos. O uso de fórmulas com probióticos, prebióticos e/ ou simbióticos pode reduzir os episódios e a duração da diarreia. Para os pacientes imunodeprimidos que apresentem diarreia, o uso de probióticos e simbióticos está contraindicado e a prescrição de prebióticos pode ser considerada.

Para a constipação intestinal, a dieta deve conter uma quantidade adequada de fibras solúveis e insolúveis. Alimentos integrais, farelos, frutas, legumes e verduras, preferencialmente crus, podem fazer parte da dieta diária para auxiliar na evacuação. Atenção especial deve ser dada a alimentos laxativos, deve-se, contudo, selecionar aqueles que causam menos desconforto ao paciente em razão da formação de gases causados pela ingestão de fibras alimentares. Vários estudos mostraram que o uso de probióticos, prebióticos e simbióticos para o tratamento da constipação crônica melhoram o trânsito intestinal e a consistência das fezes. Para os pacientes imunodeprimidos, probiótico e simbiótico também estão contraindicados. Nesses casos, os prebióticos devem ser considerados.

Para conferir a lista resumo completa das condutas nutricionais acesse o link disponibilizado na referência.

FONTE:  Consenso nacional de nutrição oncológica / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Coordenação Geral de Gestão Assistencial, Hospital do Câncer I, Serviço de Nutrição e Dietética; organização Nivaldo Barroso de Pinho. – 2. ed. rev. ampl. atual. – Rio de Janeiro: INCA, 2015. 182p. Disponível em: https://goo.gl/JVDkuy. Acesso em: 29 nov. 2017

Mayara Ribeiro

Assistente de Comunicação

 Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

 

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